Analistas elogiam proposta de orçamento com ressalvas
Paulo Sotero
Agência Estado
De Washington
A apresentação da proposta de orçamento para o ano 2000 e a ofensiva política que o presidente Fernando Henrique Cardoso desencadeou esta semana com o lançamento de seu plano de desenvolvimento Avança Brasil foram bem recebidas por analistas e operadores de bancos de investimentos e atenuaram a preocupação que se vinha acumulando nas últimas semanas em Wall Street e outros centros financeiros por causa da apatia do governo diante das pressões crescentes por mudanças no rumo da política econômica brasileira. Acho que as duas coisas ajudaram, disse Paul Dixon, principal estrategista do Lehman Brothers para mercados emergentes, em Nova York.
A proposta de orçamento é bem próxima de ser realista, apesar de algumas premissas um pouco otimistas, como o crescimento de 4% e juros de 10% e várias perguntas ainda sem resposta no lado da receita, que dependem da disciplina fiscal dos Estados e municípios num ano de eleições municipais e da ação do Congresso sobre as reformas pendentes.
Mas o próprio Dixon acrescentou que não considera o orçamento artificial ou irrealizável. As pessoas estão começando a dar-se conta de que os desafios enfrentados recentemente pelo programa econômico brasileiro não levaram a uma reversão de política, afirmou Dixon.
Segundo ele, o programa de desenvolvimento que Fernando Henrique apresentou na terça-feira não quebrou a banca e poderá dar-lhe algum espaço político. A reafirmação da direção da política econômica contida na proposta de orçamento de 2000 ajuda a explicar porque as especulações sobre uma possível saída do ministro da Fazenda, Pedro Malan, não encontram eco em Wall Street.
Richard Morley, que chefia as operações brasileiras da firma de investimentos Fleming Invest Magagement, em Londres, disse que a proposta orçamentária para o ano que vem é encorajadora, em parte por uma razão negativa. A expectativa do mercado tem estado tão baixa que qualquer progresso é bem recebido. Depois das incertezas das últimas semanas, (a proposta de orçamento) demonstra que o governo continua no controle (da situação), disse Peter West, economista-chefe da BBV Securities para a América Latina. Há problemas, mas o processo caminha para a frente, devagar mas de forma segura.
O diretor do banco de investimentos Morgan Stanley Dean Witter para o Brasil, Francisco Gros, compartilha da visão de West. Gros, que foi duas vezes presidente do Banco Central e talvez conheça os mistérios e meandros da política e do governo brasileiro melhor do que qualquer outro analista. Acho um pouco otimistas algumas premissas da proposta de orçamento, mas não estou muito focado nisso, disse ele.





