Analistas ainda não apostam em nomes
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sábado, 07 de setembro de 2002
Fábio Alves<BR>Agência Estado 
Nova York A um mês do primeiro turno das eleições presidenciais brasileiras, os analistas de Wall Street não cravam os nomes dos dois candidatos que disputarão o segundo turno, mas já têm uma idéia melhor do que vai pesar nesta reta final para seguir adiante na corrida presidencial. ''A personalidade do candidato vai ser decisiva neste momento e nem tanto a discussão da substância dos programas'', afirmou o economista para o Brasil do banco Lehman Brothers, Paulo Vieira da Cunha, durante o seminário ''Eleições no Brasil: Incertezas Políticas e Econômicas'', promovido ontem pelo Conselho das Américas e pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.
''Vai ser decisivo para o voto do eleitor de como o candidato se projeta como o próximo presidente da República'', explicou Vieira da Cunha. Ele acredita que será possível em duas semanas ter uma idéia melhor nas pesquisas de opinião das reais chances de quem irá para o segundo turno. ''É difícil fazer uma previsão agora, pois o número de indecisos nas pesquisas está aumentando. No entanto, José Serra (PSDB) domina o maior tempo de TV e tem recursos políticos maiores, é uma força difícil de o Ciro Gomes (PPS) compensar, especialmente se ele continuar perdendo terreno'', afirmou.
Na opinião do economista-chefe para América Latina do banco Salomon Smith Barney, Thomas Trebat, a propaganda eleitoral na televisão está tendo um impacto significativo. ''Mas o fator chave será qual dos candidatos apresentará uma solução compreensível e mais convincente para o eleitor sobre a situação econômica do Brasil, principalmente quanto à geração de emprego, mais segurança pública'', afirmou.
''Parece-me que o Lula já está com seu lugar garantido no segundo turno destas eleições'', observou William Perry, especialista do Center for Strategic and International Studies. Ele acha difícil prever quem irá para o segundo turno, se Serra ou Ciro. ''As eleições deste ano já passaram por cinco fases diferentes, apresentando cinco possíveis resultados. Por conta da volatilidade das pesquisas, não descarto a possibilidade de uma sexta fase nessa corrida presidencial'', disse o especialista em América Latina. De todo modo, prosseguiu Perry, o próximo presidente irá enfrentar um Congresso muito mais fragmentado do que o atual e com um apoio de governadores muito mais disperso.


