A análise dos documentos mostra, na verdade, que a prestação de contas de qualquer um dos partidos dá margem a todo tipo de interpretação, seja porque gastou aparentemente muito, seja porque diz não ter tido despesa com itens indispensáveis numa campanha. As despesas da reeleição parecem excessivas, embora a ausência de questionamento judicial na época indique que seus adversários não entenderam assim. O presidente se reelegeu gastando R$ 45,9 milhões, enquanto Lula gastou R$ 3,9 milhões, para chegar em segundo lugar, e o terceiro lugar de Ciro Gomes custou R$ 1,01 milhão.
Mas é possível deduzir, também, que as contas apresentadas pelo PSDB sejam mais realistas que as de Ciro e Lula. Os exemplos são múltiplos: FHC declara despesas que normalmente se esperaria de uma campanha como a sua. Ele informa, por exemplo, que gastou R$ 13,2 milhões com pessoal, honorários profissionais e serviços prestados por terceiros; Lula diz que gastou só R$ 167 mil com honorários e serviços terceirizados e nada com pessoal. A reeleição gastou R$ 32 mil de energia elétrica, Lula R$ 1,3 mil e Ciro deve ter trabalhado no escuro: a conta de luz do PPS ficou em apenas R$ 23.
No item despesas com viagens a discrepância também é grande, sobretudo tendo em vista a movimentação conhecida dos candidatos durante a campanha. Fernando Henrique declarou gastos de R$ 2,2 milhões com passagens aéreas, hospedagem, diárias e aluguel de aeronaves; o PT gastou 19% disso (R$ 416 mil), embora Lula e Brizola tenham tido a disposição, durante toda a campanha, três jatos da Líder Táxi Aéreo, ao preço de US$ 4 o quilômetro voado. As despesas de Ciro nesse item ficaram em R$ 83 mil.

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