Análise mostra Lula longe de escândalos
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sexta-feira, 14 de abril de 2006
Elizabeth Lopes<br>Agência Estado 
São Paulo - Apesar de as intenções de voto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terem registrado queda de 42,2% para 37,5%, na pesquisa divulgada esta semana pela CNT/Sensus, ele continua o candidato mais competitivo dessas eleições e é importante destacar que os escândalos não colaram na sua imagem. A avaliação é do cientista político e pesquisador da PUC e FGV de São Paulo, Marco Antonio Carvalho Teixeira. A figura de Lula é muito mais forte do que o de sua legenda, ele não depende do PT, mas o partido precisa dele, avaliou.
Para Carvalho Teixeira, o governo foi eficaz para resolver o episódio que envolveu a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. O Palocci (ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci) foi demitido rapidamente e o custo eleitoral que o caso poderia ter, foi debelado, emendou. Além disso, o cientista político acredita também que a maioria do eleitorado precisa de elementos mais palpáveis para fazer um julgamento mais crítico sobre a eventual ligação de Lula com esses episódios. Outro dado importante é que os atuais índices de rejeição de Lula são inferiores aos que ele registrou em campanhas passadas.
A respeito dos bons índices registrados pelo pré-candidato do PMDB à Presidência, Anthony Garotinho, e da queda do índice de rejeição apontado pela pesquisa CNT/Sensus, o pesquisador da PUC e FGV de São Paulo acredita que isso é reflexo dos programas da legenda e da exposição do peemedebista na mídia. Além disso, ele avalia que Garotinho pode estar sendo visto por muitos eleitores como a terceira via. Enquanto Lula e Alckmin estão no embate, Garotinho está correndo por fora.
O cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fábio Wanderley Reis, afirma que o resultado das recentes pesquisas de intenção de voto, Datafolha e CNT/Sensus, indica que a onda de denúncias que tomou conta do País afetou os políticos em geral. Essa onda de denúncias afetou a classe política como um todo e contaminou o cenário, emendou.
Na sua avaliação, isso explica porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém nos mesmos índices de aprovação nessas pesquisas, mesmo com o acirramento das denúncias e ataques da oposição. E também explica porque o seu principal opositor nessas eleições, o tucano Geraldo Alckmin, ainda não decolou. A oposição não teve êxito nos ataques porque a imagem de Lula não foi abalada. Aliado a isso, a economia continua sendo um fator favorável ao governo petista.
Fábio Wanderley destaca que apesar desse clima, a campanha eleitoral deverá ser muito acirrada e as denúncias devem crescer. É claro que Alckmin tem chances de crescer, mas não começou bem sua campanha, ainda mais com as denúncias que atingem, inclusive, membros de sua família, considerou. Para o professor, parte desse desgaste que o tucano vem sofrendo tem a ver com o seu desempenho nas pesquisas. E ainda não é possível avaliar, mais precisamente, se ele vai crescer a ponto de incomodar o Lula.
A respeito do pré-candidato do PMDB, Anthony Garotinho, o cientista político destaca que ele vai ter que, primeiro, vencer as resistências internas de sua legenda para conseguir emplacar uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto. O Garotinho é uma peça importante no atual cenário de pré-campanha, destacou. Ele acha difícil a candidatura Garotinho porque isso inviabilizaria as alianças do PMDB em muitos Estados.
Para o professor, o presidente Lula consolidou uma imagem popular e isso se reflete na sua liderança nas pesquisas. Por isso, as atuais denúncias estão longe de ser um fator seguro de desgaste para o presidente. Fábio Wanderley destaca, ainda, que o elevado índice de votos nulos e brancos é um reflexo do desencanto dos eleitores pelos escândalos que envolvem a classe política.


