São Paulo - Apesar de as intenções de voto para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terem registrado queda de 42,2% para 37,5%, na pesquisa divulgada esta semana pela CNT/Sensus, ele continua o candidato mais competitivo dessas eleições e é importante destacar que os escândalos não colaram na sua imagem. A avaliação é do cientista político e pesquisador da PUC e FGV de São Paulo, Marco Antonio Carvalho Teixeira. ‘‘A figura de Lula é muito mais forte do que o de sua legenda, ele não depende do PT, mas o partido precisa dele’’, avaliou.
Para Carvalho Teixeira, o governo foi eficaz para resolver o episódio que envolveu a quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. ‘‘O Palocci (ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci) foi demitido rapidamente e o custo eleitoral que o caso poderia ter, foi debelado’’, emendou. Além disso, o cientista político acredita também que a maioria do eleitorado precisa de elementos mais palpáveis para fazer um julgamento mais crítico sobre a eventual ligação de Lula com esses episódios. ‘‘Outro dado importante é que os atuais índices de rejeição de Lula são inferiores aos que ele registrou em campanhas passadas.’’
A respeito dos bons índices registrados pelo pré-candidato do PMDB à Presidência, Anthony Garotinho, e da queda do índice de rejeição apontado pela pesquisa CNT/Sensus, o pesquisador da PUC e FGV de São Paulo acredita que isso é reflexo dos programas da legenda e da exposição do peemedebista na mídia. Além disso, ele avalia que Garotinho pode estar sendo visto por muitos eleitores como a terceira via. ‘‘Enquanto Lula e Alckmin estão no embate, Garotinho está correndo por fora.’’
O cientista político e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fábio Wanderley Reis, afirma que o resultado das recentes pesquisas de intenção de voto, Datafolha e CNT/Sensus, indica que a onda de denúncias que tomou conta do País afetou os políticos em geral. ‘‘Essa onda de denúncias afetou a classe política como um todo e contaminou o cenário’’, emendou.
Na sua avaliação, isso explica porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mantém nos mesmos índices de aprovação nessas pesquisas, mesmo com o acirramento das denúncias e ataques da oposição. E também explica porque o seu principal opositor nessas eleições, o tucano Geraldo Alckmin, ainda não decolou. ‘‘A oposição não teve êxito nos ataques porque a imagem de Lula não foi abalada. Aliado a isso, a economia continua sendo um fator favorável ao governo petista.’’
Fábio Wanderley destaca que apesar desse clima, a campanha eleitoral deverá ser muito acirrada e as denúncias devem crescer. ‘‘É claro que Alckmin tem chances de crescer, mas não começou bem sua campanha, ainda mais com as denúncias que atingem, inclusive, membros de sua família’’, considerou. Para o professor, parte desse desgaste que o tucano vem sofrendo tem a ver com o seu desempenho nas pesquisas. ‘‘E ainda não é possível avaliar, mais precisamente, se ele vai crescer a ponto de incomodar o Lula.’’
A respeito do pré-candidato do PMDB, Anthony Garotinho, o cientista político destaca que ele vai ter que, primeiro, vencer as resistências internas de sua legenda para conseguir emplacar uma eventual candidatura ao Palácio do Planalto. ‘‘O Garotinho é uma peça importante no atual cenário de pré-campanha’’, destacou. Ele acha difícil a candidatura Garotinho porque isso inviabilizaria as alianças do PMDB em muitos Estados.
Para o professor, o presidente Lula consolidou uma imagem popular e isso se reflete na sua liderança nas pesquisas. ‘‘Por isso, as atuais denúncias estão longe de ser um fator seguro de desgaste para o presidente’’. Fábio Wanderley destaca, ainda, que o elevado índice de votos nulos e brancos é ‘‘um reflexo do desencanto dos eleitores pelos escândalos que envolvem a classe política’’.

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