Análise de vetos revela fragilidade da base de Requião
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segunda-feira, 14 de junho de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os deputados estaduais que integram a base de apoio ao governador Roberto Requião (PMDB) na Assembléia Legislativa deram ontem mais um sinal do descontentamento com a maneira que vêm sendo tratados pelo primeiro escalão do governo. Durante a apreciação de sete vetos do governador a projetos de iniciativa da Assembléia, o número de deputados favoráveis à derrubada do veto foi maior do que o dos parlamentares que defenderam a posição do governador.
O sinal mais emblemático do descompasso entre governo e base aliada foi o resultado da votação do veto ao projeto do deputado Fernando Ribas Carli (PP) que previa a adoção da cota de 50% das vagas das universidades estaduais para estudantes vindos de escolas públicas. Vinte e dois dos 36 deputados presentes manifestaram-se pela derrubada do veto em votação secreta. ''E isso porque o quórum estava baixo. Se tivéssemos todos os 54 deputados presentes, o veto tinha sido derrubado'', analisou Élio Rusch (PFL), que faz oposição a Requião. São necessários 28 votos para derrubar um veto do governador.
As reclamações dos deputados em relação aos secretários estaduais começaram no mês passado, quando o secretário-chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, distribuiu ambulâncias no Sudoeste do Estado sem convidar deputados da região para a entrega dos veículos. Outros deputados também reclamaram sobre a recusa dos secretários em atender os parlamentares, o que levou Caíto a comparecer à Assembléia para tentar acalmar os ânimos da base aliada.
Os vetos apreciados ontem não versavam sobre matérias polêmicas. Praticamente a totalidade dos projetos destinava-se a autorizar o governador a doar terrenos do Estado para prefeituras e entidades assistencialistas. O líder do governo, Natálio Stica (PT), alegou que embora as intenções fossem boas, o governador preferia discutir as doações caso a caso.


