A corregedora-geral da União, Anadyr de Mendonça Rodrigues, reconheceu ontem que uma CPI para apurar irregularidades no governo tem mais poderes do que a corregedoria, criada há cerca de um mês pelo presidente Fernando Henrique. A declaração de Anadyr foi feita durante o seu depoimento à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A principal crítica dos senadores referiu-se ao fato de que a Corregedoria Geral da União foi criada pelo presidente apenas para tentar inibir a abertura da CPI da corrupção.
‘‘Não há possibilidade de criar uma corregedoria com os poderes largos e amplos de uma CPI’’, admitiu Anadyr. Ela observou que não há superposição entre as tarefas da corregedoria e de uma CPI. ‘‘No meu ponto de vista pessoal não há superposição de funções da corregedoria e uma CPI ’’, disse. Afirmou ainda que recebeu garantias do presidente de que terá o apoio necessário para fazer qualquer investigação.
Para Anadyr, as expectativas em torno da corregedoria foram superestimadas. ‘‘Mesmo que as providências sejam pequenas e tópicas terão repercussão e o órgão não terá servido apenas como propaganda enganosa’’, sustentou. E fez um alerta: ‘‘A corregedoria é um cheque em branco que pode se transformar em um cheque sem fundos se não forem apresentados resultados.’’
Os parlamentares também criticaram o fato de a atuação da Corregedoria estar restrita à apuração de casos no Executivo. ‘‘O âmbito de atuação é o Executivo e sua atividade não é apurar e sim permitir que todos os aparelhos já existentes na administração pública façam a apuração’’, respondeu.

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