O juiz da 3ª Criminal de Londrina, Juliano Nanuncio, conduziu nesta segunda-feira (15) os interrogatórios dos auditores fiscais Ana Paula Pelizari Lima, José Luiz Fernandes Filho e José Aparecido Valêncio, durante audiência de instrução na ação penal da Operação Publicano 4. O ex-inspetor regional de fiscalização, Marcio de Albuquerque Lima, seria ouvido por último, já no período da noite.

Ana Paula, esposa de Marcio, trabalhava no apoio técnico ao delegado na Receita Estadual de Londrina, quando começou a investigação do Ministério Público (MP) do Paraná sobre a suposta organização criminosa no órgão de fiscalização fazendária. Ela, que chegou a ficar presa por 50 dias, afirmou ser inocente de todas as acusações e pediu ao juiz para ler um documento com a sua versão, evitando ser interrogada em cada um dos fatos narrados pelo MP. Inicialmente, fez críticas ao MP e à busca e apreensão no apartamento dela, "o que abalou muito o meu filho pela forma que foi feita". Ao criticar a imprensa, "que divulga tanta mentira que as pessoas acabam acreditando", ela negou que o patrimônio da família seja incompatível com os rendimentos. Nanuncio pediu que detalhasse e Ana Paula revelou um total de R$ 3 milhões em bens, incluindo um terreno em Angra dos Reis (RJ), uma lancha, 3 carros e apartamento em Londrina, além de herança familiar.

Ainda durante as investigações da Operação Publicano, o MP apreendeu um vídeo de circuito de segurança, em que Ana Paula aparece retirando objetos do apartamento, que seriam supostas provas. Ela disse no interrogatório que eram materiais para doação. "É algo que eu gosto de fazer, gosto de doar. A mídia passou aquela imagem que estava destruindo provas", falou. O advogado Douglas Maranhão, que defende Ana Paula e o marido, preferiu não conceder entrevista.

O réu José Luiz Fernandes Filho, auditor aposentado, negou envolvimento com eventuais irregularidades na Receita Estadual. O advogado dele, Carlos Lamerato, alegou que a acusação está baseada "apenas" no depoimento do delator e ex-auditor fiscal Luiz Antonio de Souza. "Há fragilidade na investigação contra ele, que foi acusado com base em disse me disse de terceira pessoa." O auditor fiscal e ex-coordenador da Receita Estadual no Paraná, José Aparecido Valêncio da Silva também negou as acusações. Em maio de 2015, ele pediu demissão do comando do órgão, afirmando, na época, repudiar "com veemência e indignação, qualquer alegação de participação sua em fatos ilícitos relacionados à sua conduta" na Receita.

A reportagem não conseguiu falar com o MP nesta segunda, mas na sexta-feira (12), o coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Jorge Fernando Barreto da Costa, havia afirmado que todas as fases da Publicano estão embasadas em "robusta" coleta de provas e minimizou as críticas do réus. "O que foi apresentado até agora nos interrogatórios em nada afasta essa certeza do Ministério Público."

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