Gilson Abreu/Folha de LondrinaCarlos Alberto Grolli: ‘‘Somos extensão da crise nos municípios’’A falta de recursos dos municípios do Estado atingiu em cheio a entidade que os representa - a Associação dos Municípios do Paraná (AMP). Para tentar recuperar parte do prejuízo registrado ano passado, quando a inadimplência chegou a 95% no pagamento das mensalidades, a entidade está perdoando juros e multas e ainda parcela as dívidas. O débito das prefeituras com a AMP soma R$ 200 mil. Há municípios que não recolhem mensalidade há quatro anos. ‘‘Somos uma extensão da crise dos municípios’’, analisa o diretor executivo, Carlos Alberto Grolli.
Com o caixa no vermelho, a AMP está com dificuldade para pagar os salários dos sete funcionários. ‘‘A situação é constrangedora, mas estamos tentando superar. Precisamos que os prefeitos entendam que a entidade representa o fortalecimento do municipalismo’’, diz Grolli. A eleição da nova diretoria da entidade, em março (ler texto ao lado), está sendo vista até como uma possibilidade de aumentar a receita da instituição. Para votar, o prefeito tem que estar em dia com a tesouraria.
Se todos os 399 municípios pagassem em dia suas mensalidades - que variam de R$ 50,00 a R$ 1.600,00 (de acordo com o repasse do ICMS), Grolli diz que a arrecadação da AMP seria de aproximadamente R$ 40 mil. ‘‘Setenta por cento dos municípios pagam de 50 a 100 reais por mês, o que não pesa se ele considerar os benefícios’’, explica. Por benefícios, ele lista assessoria técnica, consultoria jurídica, além de estudos e projetos para melhorar a arrecadação de impostos.
Grolli nega que a entidade esteja fazendo campanha de cobrança das mensalidades em atraso e prefere deixar o pagamento a critério da ‘‘consciência’’ de cada um. ‘‘Se houver cooperação podemos ampliar nosso trabalho, aumentar o número de técnicos para desenvolver projetos e o banco de dados, além de estabelecer uma linha direta com as associações microrregionais’’.
Ele lembra que a associação tem deflagrado uma série de lutas em favor do municipalismo e cita as mais recentes como a reivindicação à presidência da República pela não prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FES). ‘‘O Ministério do Planejamento quer prorrogar o Fundo, mas pelo jeito não se importa com as perdas dos municípios’’, analisa o diretor da AMP. O FES tira 12,4% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Na maioria das pequenas cidades, o FPM constitui-se na principal fonte de arrecadação.
Além na batalha pela não prorrogação do FES, a AMP reivindica a redução de 12% para 6% no parcelamento das dívidas do FGTS e INSS. ‘‘Se não podemos aumentar a receita dos municípios, pelo menos queremos diminuir seu comprometimento através dessas ações’’, argumenta.

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