Pedro Livoratti
De Londrina
Prefeitos reagiram com indignação à proposta de emenda apresentada pelo senador Roberto Requião (PMDB) que prevê o fim da reeleição. O projeto, apresentado na quinta-feira e endoçado por outros 32 senadores, pretende acabar com a possibilidade dos detentores de cargos executivos concorrerem novamente ao posto ao final de seu mandato.
O presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Same Saab, afirma que mudar as regras agora seria ‘‘casuísmo’’. Saab, que é prefeito de Iretama pelo PSDB, defende a reeleição no ano que vem. ‘‘Depois do pleito concordo com o fim desta possibilidade’’, afirmou o municipalista. Ele revelou preocupação com as renúncias dos mandatos nos meses que antecederem a votação. Segundo Saab, muitos prefeitos estão rompidos com seus vices, que também deverão disputar a eleição, assim como os presidentes das câmaras. ‘‘O povo não votou no presidente do fórum’’, afirmou ele, se referindo à possibilidade dos juízes terem de assumir administrações municipais.
O prefeito de Londrina Antonio Belinati (PFL) também classifica como casuísmo qualquer modificação nas regras do próximo pleito. ‘‘Defendo então uma discussão mais ampla, ou seja, vamos debater o fim da reeleição em todos os níveis, inclusive para deputados e senadores’’, afirmou.
Segundo ele, que é candidato em outubro do ano que vem, a reeleição é um instrumento democrático. ‘‘No ano passado vários governadores perderam por mau desempenho em suas administrações ou por problemas políticos. O administrador pode ser rejeitado’’, afirmou Belinati.
O prefeito de Maringá Jairo Gianoto (PSDB) disse que não está preocupado com a reeleição agora. ‘‘Se houver esta possibilidade, será uma condição do administrador dar continuidade ao trabalho iniciado no primeiro mandato’’. Favorável à reeleição, Gianoto não confirma seu interesse, mas tudo indica que ele deverá se lançar nas próximas eleições disputando novamente a prefeitura.
O prefeito de Curitiba Cássio Taniguchi (PFL) informou, através de sua assessoria, que qualquer manifestação contrária à reeleição neste momento é casuísmo. ‘‘É um instrumento democrático porque a população pode ou não aprovar a gestão do administrador’’, afirmou Cassio. O prefeito de Curitiba mantêm o projeto de disputar as eleições no ano que vem, até porque o trâmite da emenda do senador Requião leva mais tempo do que o prazo final para aprovação de qualquer mudança no pleito do ano que vem que é 30 de setembro.
Requião informou ontem à tarde que sua proposta será aceita facilmente no Congresso Nacional e admitiu que a emenda não deve ser votada a tempo de interferir no pleito de outubro do ano que vem.
‘‘Uma consulta que realizei em várias regiões do Paraná constatei que 80% das pessoas são contra a reeleição’’, afirmou o senador. Requião disse também que a reeleição é uma ‘‘imoralidade’’ porque é difícil separar a máquina pública do candidato. (Colaborou Marcos Zanatta)

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