Amorim toma posse em clima de descontentamento
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domingo, 07 de agosto de 2011
Eduardo Bresciani <br> <br> Agência Estado 
Brasília - O embaixador Celso Amorim toma posse hoje à frente do Ministério da Defesa em meio a uma insatisfação das Forças Armadas com o orçamento destinado à área. Ontem, em Brasília, um grupo de esposas de militares e integrantes da reserva protestou durante solenidade da troca da bandeira nacional na praça dos Três Poderes. Eles pediram melhores salários e criticaram o que chamam de sucateamento das Forças.
Os problemas orçamentários da Defesa, que sofreu pesado corte no início do ano por ordem da presidente Dilma Rousseff, foram apontados como motivo de insatisfação de Nelson Jobim, que acabou deixando o cargo depois de uma sequência de declarações polêmicas.
As reivindicações salariais são mais fortes na base da carreira. Taifeiros, soldados, cabos e sargentos, segundo os familiares, recebem soldo incompatível com o trabalho que exercem quando se leva em comparação os rendimentos de profissionais da polícia militar e bombeiros do Distrito Federal. ''O salário nosso é terrível'', resume Genilvaldo da Silva, presidente da Associação dos Militares da Ativa, da Reserva e Pensionistas (Amarp).
''Existe uma defasagem salarial de 135%'', diz a presidente da União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas (Unemfa), Ivone Luzardo. Ela destaca que mesmo um reajuste de 28,68% para a carreira, fruto de ação judicial já decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), está com seu trâmite paralisado. Outra reclamação é de que as Forças Armadas têm limitado a promoção de quem começa a carreira na base.
Outro protesto é em relação à falta de investimento em equipamentos para as Forças. Ivone Luzardo lembrou que na semana passada um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) caiu em Santa Catarina matando oito pessoas e atribuiu o incidente ao ''sucateamento''. ''Todo ano tem corte no Orçamento e os militares hoje são obrigados a lidar com equipamentos obsoletos colocando suas vidas em risco''.
A manifestação foi feita na presença do comandante-geral do Exército, general Enzo Peri. No sábado, ele e os comandantes da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, e da Marinha, almirante Júlio de Moura Neto, já alertaram Amorim das insatisfações sobre os cortes orçamentários e pediram ao ministro um trabalho para evitar cortes no Orçamento do próximo ano.


