'Amnésia' de empresário pode favorecer Gouvêa
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quinta-feira, 17 de junho de 2010
Eli Araujo<br>Reportagem local 
O vereador Rodrigo Gouvêa (sem partido), acusado de pedir dinheiro para votar um projeto na Câmara de Londrina, pode ser beneficiado por um lapso de memória do empresário Mauricio Costa que fez a acusação ao Ministério Público há quase um ano. Ontem, o acusado, o empresário e outros vereadores prestaram depoimento no processo que investiga o suposto pedido de propina na 1 Vara Cível de Londrina. A acusação surgiu porque Gouvêa teria pedido benefícios para votar favoravelmente à aprovação de um projeto do programa ''Minha Casa Minha Vida''.
Gouvêa e o empresário não quiseram falar com os jornalistas. O promotor Renato de Lima Castro, entretanto, afirmou à imprensa que o empresário havia confirmado o pedido de propina por parte do vereador em seu primeiro depoimento ao Ministério Público (MP). De acordo com o promotor, em um segundo momento Costa disse ter dúvidas sobre o conteúdo da fala do vereador. ''O empresário se lembra da conversa até certo momento, mas depois fica claro que há uma certa amnésia sobre o pedido de dinheiro'', disse Castro.
O promotor disse que o MP vai pedir a condenação do vereador por improbilidade administrativa porque as provas e os depoimentos ''são convergentes''. ''Há um conjunto de documentos e declarações que permitem afirmar que o fato ocorreu de acordo com a forma prevista na petição inicial'', garantiu.
Os depoimentos duraram toda a tarde de ontem. O primeiro a depor foi o próprio Gouvêa, que permaneceu na sala até o final acompanhando os outros depoimentos. O advogado de Gouvêa, Guilherme Gonçalves, disse que o empresário Mauricio Costa prestou depoimento ao MP quando estava com problemas de saúde, que não sabia exatamente o que havia dito e que voltou no dia seguinte para retificar as declarações. ''Tudo isto não passa de preconceito contra político. O problema é que não ficou comprovado absolutamente nada (na audiência). Tudo é suposição'', concluiu o advogado. O juiz da 1 Vara Cível, Bruno Pegoraro, deve dar a sentença no caso em 30 dias.


