Brasília - O corregedor-geral da Câmara, deputado Ciro Nogueira (PP-PI), informou ontem que não pretende se afastar do comando das investigações das denúncias envolvendo o presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE). Segundo ele, apesar de ser amigo de Severino, terá ''total isenção'' para comandar as investigações. Nogueira é considerado um pupilo de Severino e foi o nome escolhido pelo presidente da Câmara para ocupar um ministério em nome do PP no início do ano, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva planejava uma ampla reforma ministerial, que foi abortada.
''Se for preciso, vou punir os amigos e inocentar inimigos. Vou investigar com isenção e imparcialidade. Não nego que seja amigo de Severino, mas sei separar as situações'', assegurou Nogueira. Para garantir a isenção das investigações da Corregedoria, Nogueira convidou um deputado do PL e outro do PSDB para acompanhar os trabalhos.
Ontem, a Diretoria-Geral da Câmara nomeou os integrantes da Comissão de Sindicância que vão investigar as irregularidades apontadas por Severino em resposta às denúncias de que teria recebido R$ 10 mil por mês, totalizando R$ 150 mil, do dono da concessão para exploração dos restaurantes da Câmara, Sebastião Augusto Buani.
De acordo com a assessoria de imprensa da presidência da Câmara, a comissão será integrada pelos assessores jurídicos da Casa - José Ricardo Teixeira Alves, Aurifran Lopes Nogueira e Guilherme Feliciano de Lima.
A primeira providência administrativa da Câmara será intimar a empresa Buani e Paulucci da rescisão do contrato para a exploração do restaurante. A idéia inicial era de que o restaurante já estaria fechado a partir de hoje, mas o diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, soube que o contrato não poderia ser cancelado desta forma.
Sampaio informou que a notificação sobre o cancelamento do contrato entre a Buani e Paulucci e a Câmara seria feita ainda ontem. A empresa terá cinco dias para apresentar sua defesa. A administração da Câmara avalia que será possível fechar o restaurante já na terça-feira da semana que vem, em razão da inadimplência e do término do contrato.
O prazo para a entrega do resultado das investigações administrativas é de 15 dias. De acordo com a assessoria de imprensa da Câmara, serão analisados todos os contratos assinados com a empresa Buani e Paulucci. Os contratos também serão analisados pelo TCU (Tribunal de Contas da União).

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