fotos: Arquivo AE/Folha
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Motta e FHC conversam com populares no Viaduto do Chá, em 1978Amigo próximo de Fernando Henrique Cardoso, Sérgio Motta sempre teve acesso irrestrito ao Planalto, apesar de protagonizar cenas de constrangimento e pouco confortáveis para o presidente. Uma das mais polêmicas foi quando criticou a primeira-dama, Ruth Cardoso, e colegas de ministério: ‘‘O governo está tímido na área social; a educação ainda não está bem administrada, e, na saúde, o Jatene está fazendo um bom trabalho, mas precisa de mais agressividade .
No governo FHC, amigos comuns costumavam dizer que ‘‘Serjão’’ (como era tratado pelos amigos íntimos e pelos desafetos) era o encarregado de dar voz às opiniões do presidente. Seu modo de agir acabou lhe rendendo o apelido de ‘‘trator’’, por sua atuação ‘‘sem freios’’ como coordenador da campanha de FHC à Presidência. A amizade com FHC data de meados de 1975, quando os dois participaram da criação do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). A partir daí, seu relacionamento com o presidente se estreitou e Motta coordenou todas as campanhas políticas de FHC desde a candidatura ao Senado (1978).
Amizade dos dois se manifestava até em solenidades oficiais
Motta também era sócio do presidente. Os dois compraram, em 1989, uma fazenda em Buritis (MG), da qual foram acusados de subfaturar o valor na hora de registrar a transação. FHC negou as acusações. Na década de 70, Motta, então militante da Ação Popular (movimento da esquerda de origem católica), administrou o jornal ‘‘Movimento’’, de resistência ao regime militar. Segundo amigos, ele ajudou clandestinos e empregou perseguidos políticos.
Em 1977, o ministro, apreciador das artes, partiu para a produção cultural. Ajudou a financiar a montagem de ‘‘Mortos sem Sepultura’’, de Jean-Paul Sartre. Em seguida, abriu uma empresa patrocinadora de espetáculos, a Difusão S/C Ltda., com o atual presidente do BNDES, Luiz Carlos Mendonça de Barros.
O ministro ingressou na vida pública no início dos anos 80, como presidente de uma estatal - a Coalbra -, ainda no governo Figueiredo (1979-1985). Em 1984, foi demitido da Coalbra por se desentender com o então ministro da Agricultura, Nestor Jost. No mesmo ano, assumiu a vice-presidência da Eletropaulo, na qual ficou até 1987 (governo Franco Montoro). Até entrar para o governo, Motta comandava uma empresa de consultoria em engenharia e elaboração de projetos, a Hidrobrasileira.
Motta em sua última aparição, na posse de Serra na Saúde: entubado
O ministro enfrentava problemas de saúde havia anos. Em 1987, contraiu uma infecção bacteriana rara nos pulmões, que o acompanhou até a sua morte. Em setembro de 1995, sofreu um infarto e teve de colocar três pontes de safena e uma mamária. Recusou o colega Adib Jatene para conduzir a operação. ‘‘Espero que o médico não seja aliado do PFL’’, disse. Em 1996, Motta ficou internado uma semana com pneumonia. Em agosto de 1997, sofreu uma cirurgia para retirada do apêndice. Em dezembro de 1997, o ministro foi internado novamente com infecção pulmonar. No início deste ano, Motta foi para os Estados Unidos para fazer uma avaliação dos problemas respiratórios que vinha enfrentando.
O engenheiro (formado pela Faculdade de Engenharia Industrial) e empresário Sérgio Roberto Vieira da Motta nasceu em São Paulo, em 26 de novembro de 1940. Filho de José Vieira da Motta, um técnico de raios X, de origem portuguesa, Motta foi criado no bairro da Mooca. O ministro era casado com Wilma e tinha três filhas - Fernanda, Juliana e Renata.
De militante da AP na década de 60 a comandante de um dos maiores processos de privatização que o Brasil já viu, Sérgio Motta protagonizou, na mesma proporção, um dos maiores escândalos do atual governo. Em maio do ano passado, o ministro das Comunicações foi acusado de intermediar a compra de votos pró-reeleição. Em gravações obtidas pela ‘‘Folha de S.Paulo’’, deputados afirmaram ter recebido R$ 200 mil para votar a favor da emenda da reeleição. O dinheiro, segundo a gravação do depoimento de um dos parlamentares, seria providenciado por Motta e pelo governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL). O ministro negou as acusações e anunciou que interpelaria judicialmente os deputados que o citaram. Meses depois, ele desistiu da ação. (A.F.)

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