Amin diz que esperava solução elegante
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de julho de 1997
Agência Estado Brasília 
O presidente do PPB, senador Esperidião Amin, defendeu ontem a demissão do presidente da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Amílcar Gazaniga, criticado pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, em entrevista à revista Veja. O ministro deveria parar com esse tipo de masturbação administrativa, afirmou Amin. Motta creditou a Gazaniga a dificuldade do governo de modificar a situação precária em que se encontram os Correios. Ninguém sabe nem o nome do sujeito, afirmou Motta, referindo-se ao presidente da ECT.
Ex-prefeito de Itajaí e ex-presidente da Eletrosul, Gazaniga foi indicado para a presidência da ECT pelo PPB após a saída de Henrique Hargreaves, em 1995. Desde março, pelo menos, ele vem recebendo críticas públicas de Sérgio Motta. Por isso, há um mês, segundo Amin, o partido abriu mão da presidência dos Correios e sugeriu que fosse indicado para o cargo o vice-presidente da empresa, Egydio Bianchi, homem de confiança de Motta. Estive com o ministro e disse que ele deveria liberar o Gazaniga, conta Amin. Ele pediu tempo, ficou de me falar depois e agora dá a resposta pela imprensa, declarou.
O senador não escondeu a irritação com Sérgio Motta. Ninguém vai acreditar que ele, o ministro mais forte do governo, esteja engolindo alguém indicado pelo PPB, ironizou. Para Amin, não há motivo para o ministro não ter concordado com o afastamento de Gazaniga em junho. Motta não pode esconder sua própria indecisão na biografia de alguém, disse. A entrevista foi, na opinião do presidente do PPB obscura e covarde. Esperávamos uma solução elegante por parte do ministro. No entender de Amin, ante a mais uma crítica pública de Motta, dessa vez menosprezando-o, só resta a Gazaniga abandonar o cargo. Ele deve pedir demissão formalmente agora.
De férias em Camboriú, Amílcar Gazaniga lamentou mais essa crítica a sua gestão. Isso virou uma constância, só tenho a lamentar por que foi ele quem me chamou para trabalhar nos Correios, disse, sem saber até ontem à noite qual decisão iria tomar. Vou consultar o meu partido e o ministro, afirmou. Mas ninguém vai ter o direito de assacar contra minha dignidade, garantiu. Sobre sua administração, ele defende-se afirmando que no último ano a empresa deixou de ter prejuízo para somar um lucro de R$ 130 milhões e, segundo ele, sempre cumpriu as determinações do governo.


