Amigos de ontem, adversários de hoje
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domingo, 11 de agosto de 2002
Mônica Kaseker Leandro Donatti<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Inimigos políticos hoje. Aliados de primeira hora no passado. Candidatos de peso na disputa pelo governo do Estado, nesta eleição, Alvaro Dias (PDT), Roberto Requião (PMDB) e Rubens Bueno (PPS) já foram companheiros de partido, o extinto MDB.
Os três também já foram íntimos do ex-prefeito de Londrina, ex-governador e ex-senador José Richa, pai de Beto Richa (PSDB), candidato do atual governador Jaime Lerner (PFL).
Como se não bastasse, o ex-secretário da Fazenda do governador Jaime Lerner Giovani Gionédis, agora no (PSC), que ajudou Beto a eleger-se vice-prefeito de Curitiba na eleição de 2000, é, ironicamente, seu adversário na briga pelo Palácio Iguaçu. Mais um retoque que num passado recente poderia ser classificado como surreal.
A política, muitas vezes, tem caminhos tortuosos, que acabam apagados pela falta de memória do eleitorado. Para boa parte dos políticos, mais que amizade ou lealdade, o que vale mesmo são os acertos e as conveniências eleitorais de cada momento que podem se traduzir em ajuda financeira ou reforço na base de cada candidato.
''Requião é um passo à frente. Quem está com Requião está comigo.'' Tais frases poderiam soar como um desvario, vindas do candidato Alvaro Dias hoje, mas foram importantes na campanha de Requião à Prefeitura de Curitiba em 1985, quando Alvaro Dias era senador e presidente regional do PMDB. No mesmo jornal de campanha, pesquisado pela Folha de Londrina, o então governador José Richa pedia: ''Conto com vocês, votem em Requião''.
Os caminhos dos que se colocam como adversários hoje se cruzaram novamente na eleição de 1988. Em entrevista ao caderno Almanaque do jornal O Estado do Paraná, Requião dava declaraçãoes defendendo a ação da Polícia Militar no episódio da greve dos professores estaduais, durante o governo Alvaro Dias, ocorrido no mês de agosto daquele ano. Na mesma época, em entrevistas ao caderno Bom Domingo, do extinto jornal Correio de Notícias, e à revista Veja, Requião defendia o nome de Alvaro Dias para concorrer à presidência da República. ''Quero ver Alvaro, Richa, e os nossos deputados federais importantes, todos juntos'', dizia naquela ocasião.
Nesta campanha, os candidatos não têm constrangimento algum ao deixar escapar faíscas e acusações um contra o outro. Alvaro Dias, por exemplo, não se cansa de dizer que ''quem ameaça romper os contratos do pedágio (proposta do senador Requião) está blefando''.
Já Requião, tem chamado a aliança encabeçada por Alvaro de ''Quatrilho'', num claro ataque que pode ser interpretado como uma referência à promiscuidade política. Alvaro tentou inclusive proibir o uso do termo junto à Justiça Eleitoral mas não conseguiu. Com a divulgação das pesquisas eleitorais e o início da propaganda gratuita no rádio e na tevê, o bate-boca destes ex-aliados tende a se acirrar.


