Dois vereadores que votaram contra o início do atual processo de impeachment do prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), vão comandar uma outra apuração contra o prefeito. Miguel Colasuonno (PMDB) e Brasil Vita (PPB) foram eleitos ontem para ocupar, respectivamente, os cargos de presidente e relator da nova comissão que vai analisar denúncias contra Pitta.
A escolha dois dois integrantes da tropa de choque de Pitta na Câmara Municipal de São Paulo para os cargos teve o apoio da maioria da comissão – quatro dos sete integrantes. Colasuonno, Vita, Archibaldo Zancra (PL) e Edvaldo Estima votaram com a base que apóia o prefeito no Legislativo. Paulo Frange (PTB), que disputou a presidência, e Adriano Diogo (PT), que queria a relatoria, foram derrotados. O sétimo integrante da comissão é o vereador Eder Jofre (PSDB).
A escolha dos cargos mais importantes da comissão teve que ser feita duas vezes. Diogo não participou da primeira votação. Alegou que os governistas tinham mudado o horário da reunião para ‘‘manobrar’’ e ficar com os cargos. ‘‘Eles fizeram uma reunião em um sofá, sem gravação, ata e taquigrafia e em um lugar desconhecido. Não tinha valor jurídico nenhum’’, disse.
A comissão terá até o dia 19 para analisar a denúncia de que o prefeito teria cometido infração político-administrativa ao não pagar uma dívida com um precatório. Os trabalhos da comissão terminam com a votação de um relatório que será apresentado por Vita. No documento, ele terá de propor a admissibilidade ou não da denúncia contra Pitta.
Se a comissão recusar a denúncia contra o prefeito, o processo de impeachment é arquivado. Basta o voto da maioria da comissão, como aconteceu ontem. Se Vita propuser em seu relatório que a denúncia tem de ser acatada, o documento tem que ser aprovado em duas votações para o processo continuar: pela maioria dos integrantes da comissão e, depois disso, por 33 dos 55 vereadores paulistanos.

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