Amigo dos Bolsonaros, demitido da Casa Civil por uso de avião da FAB ganha cargo no Meio Ambiente


DANIEL CARVALHO
DANIEL CARVALHO

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Demitido do posto de secretário-executivo da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro em janeiro deste ano após usar um jato da FAB (Força Aérea Brasileira) para uma viagem exclusiva para a Índia, José Vicente Santini ganhou um cargo no Ministério do Meio Ambiente.

Com um salário de R$ 13.623,39, Santini será assessor especial do ministro Ricardo Salles. A portaria com a nomeação foi publicada no "Diário Oficial da União" desta quarta-feira (16).



Santini foi demitido por ter utilizado uma aeronave oficial com apenas três passageiros (ele e duas assessoras) para voar de Davos (Suíça), onde participava do Fórum Econômico Mundial, para a Índia, onde Bolsonaro cumpria agenda oficial. O secretário representava o então titular da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que estava em férias.

Em um primeiro momento, ao dizer que Santini deixaria o cargo de secretário-executivo da Casa Civil, Bolsonaro não excluiu a possibilidade de ele ocupar outras funções no governo federal. À época, Bolsonaro classificou o episódio como "inadmissível", mas disse que o uso da aeronave não é "ilegal" mas "completamente imoral".

Santini, que é amigo da família Bolsonaro e chegou ao governo com respaldo dos filhos do presidente, ganhou um outro cargo no Planalto um dia depois, sendo nomeado assessor especial da Secretaria Especial de Relacionamento Externo da Casa Civil. O salário desta função é de R$ 16.944,90 mensais, cerca de R$ 300 a menos que o anterior.

Diante da repercussão negativa, Bolsonaro afirmou em rede social que iria tornar sem efeito a nova contratação de Santini —que agora ganha novo cargo no governo, oito meses depois.

Santini é formado em direito pela Universidade Católica de Brasília e tem mestrado e doutorado pela UniCeuB. Antes de ser o número dois da Casa Civil, ele assumiu a Subchefia de Acompanhamento e Monitoramento, onde acompanhou casos como o desastre de Brumadinho (MG).

Ele chegou ao governo com respaldo da família Bolsonaro por ter amizade desde a infância com os filhos do presidente. Assumiu o cargo de secretário-executivo quando o antigo ocupante do posto, Abraham Weintraub, foi indicado para ser ministro da Educação, em abril de 2019.

Santini conheceu a família Bolsonaro dos círculos de militares por ser filho de general do Exército.

Desde que entrou para o governo, costumava fazer publicações em redes sociais com filhos do presidente, como o deputado Eduardo (PSL-SP) e o senador Flávio (Republicanos-RJ), além de trocarem mensagens em tom elogioso um ao outro.

Antes de assumir cargo público, era sócio de um escritório de advocacia em Brasília. Em seu currículo público, disponível em suas redes sociais, Santini diz ter trabalhado de 2007 a 2012 no Ministério da Defesa com assuntos ligados a privatizações e aviação civil.



Em março, Bolsonaro publicou decreto restringindo o uso de voos da FAB por autoridades.

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