Abnor Gondim
Agência Folha
De Brasília
O segurança Raimundo Alves de Oliveira, o Raimundinho, que disse ao Ministério Público na quinta-feira passada que participou de assassinatos a mando do deputado cassado Hildebrando Pascoal, recuou ontem em Rio Branco, na Justiça Federal. Ele negou a participação, alegando que fizera a confissão para retornar ao Acre para ‘‘rever a família’’. Raimundinho é uma das 28 pessoas presas e transferidas a Brasília desde setembro, sob a acusação de participar da quadrilha do ex-deputado envolvida em assassinatos e tráfico de drogas no Acre.
Na última quinta-feira, em Brasília, Raimundinho disse ao procurador da República Marcelo Serra Azul que Pascoal e três irmãos mataram em 1996 Agilson dos Santos Firmino, suspeito da morte de Itamar Pascoal, irmão do ex-deputado. O corpo dele foi encontrado com braços e pernas decepados. Raimundinho também afirmou que matou em 1997 o delegado da Polícia Civil Walter Ayala, e que participou no Piauí com Pascoal do assassinato de José Hugo Alves Júnior, também suspeito da morte do irmão de Pascoal. Sette Pascoal, irmão do ex-deputado, disse que a família está sendo perseguida. ‘‘Estão procurando bandidos que queiram depor contra Pascoal, oferecendo em troca proteção do programa de defesa de testemunhas’’, disse ele.
O segurança poderá ser enquadrado no programa de proteção de testemunhas. Com isso, pode obter redução de suas penas por ter delatado as ações da suposta quadrilha. Em depoimento assinado entregue ao Ministério Público, Raimundinho afirmou que matou o delegado Ayala num ônibus em Rio Branco.
Ayala foi morto no dia 10 de setembro de 1997, quando tinha depoimento marcado contra Pascoal numa subcomissão do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, do Ministério da Justiça. Raimundinho foi transferido na sexta-feira passada para Rio Branco, onde foi interrogado ontem.
O segurança é acusado também da morte do bombeiro Sebastião Crispim, que iria depor contra Pascoal. Além de Raimundinho, foram levados ontem para depor sobre esses crimes em Rio Branco o próprio Pascoal, três PMs e o motorista Alexandre Alves da Silva, irmão do deputado José Aleksandro da Silva (PFL-AC), que assumiu a vaga de Pascoal.
O segurança afirmou que sequestrou e matou José Hugo Alves Júnior, no interior do Piauí. A confissão de Raimundinho coincide com o depoimento do PM do Acre Marcos Figueiredo Gonçalves, acusado de integrar a suposta quadrilha de Pascoal. Ele disse que Raimundinho e Pascoal queimaram José Hugo com ácido antes de matá-lo.

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