Brasília - Amigo do governador afastado do Distrito Federal, José Roberto Arruda, o deputado distrital Wilson Lima, eleito pelo PR, usou do bom trânsito entre os colegas para ser içado, no início do mês, a presidente da Câmara Legislativa com votos de 17 dos 24 parlamentares. Com a missão de manobrar a favor do governador nos processos de impeachment dele, Lima não teve tempo de agir.
Arruda foi preso pela Polícia Federal e o governador em exercício, Paulo Octávio, sem sustentação política, pode renunciar. A missão de Lima, agora, pode ser maior que o previsto. Ele é o próximo na linha sucessória do governo do Distrito Federal. Considerado afável e simpático pelos colegas, Wilson Lima recebeu dos colegas o apelido de deputado ursinho. ''O Wilson Lima é muito amável no trato pessoal, sim, mas essa amabilidade não se sobrepõe aos mandos do governador'', pondera a deputada Érika Kokay (PT).
A petista conta que antes da crise política assolar o DF, certa vez o deputado mandou cortar das notas taquigráficas um discurso dela na qual chamou Arruda de ''governador de plástico''. ''Ele disse que Arruda era de carne e osso e era governador dele. Mandou cortar meu microfone e apagou meu discurso das notas. A fidelidade dele é canina.''
Mas, a lealdade que Lima dedica a Arruda era, outrora, oferecida ao ex-governador Joaquim Roriz (PSC), de quem foi subsecretário de Alimentação e Promoção Social, em 2002. ''Na política você tem que escolher entre dois lados: ou você é oposição ou é situação. Terceira via não existe'', teoriza Lima, que ainda não admite a possibilidade de assumir o governo. ''Eu vivo um dia de cada vez. E, além disso, ainda temos um governador no cargo'', diz.
A opinião sobre a possível escalada de Lima - de deputado distrital a governador do DF - é divergente entre os deputados distritais. Eliana Pedrosa, do DEM, avalia que dez meses de governo é pouco tempo para o deputado se inteirar dos programas de governo e dar continuidade à gestão de Arruda com êxito. ''O Paulo Octávio tem um perfil mais centrado e está empenhado em construir a governabilidade.''
Chico Leite, do PT, diz, em contrapartida, que Wilson Lima teria mais capacidade de reunir sustentação política do que o governador em exercício. ''O Paulo Octávio é citado no inquérito da Operação Caixa de Pandora como beneficiário do esquema, o Wilson Lima, não. Isso já é um ponto favorável'', afirma.
Aos 56 anos, Lima é goiano de Ceres e mora no Gama, cidade-satélite de Brasília, desde 1968. Quando jovem, quis ser padre. Começou a trabalhar vendendo picolé na rua, virou frentista, foi mecânico, lanterneiro e pintor. Passou de açougueiro a balconista, de vendedor de sapatos a cobrador de ônibus e foi dono de supermercado.

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