Ameaças de CPIs consumiram os governistas
Ainda no inferno astral, o governo passou dias e dias no Senado acossado pela oposição com a ameaça de comissões parlamentares de inquérito (CPIs). Primeiro, para vasculhar os bingos. Depois, para investigar denúncias de negociatas na prefeitura de Santo André após a morte do petista Celso Daniel, há dois anos.
''Não é o momento de armarmos palanque para fazer investigação política'', protestou Renan Calheiros (AL), líder do PMDB no Senado e cristão-novo na aliança governista. Da tribuna, na sexta-feira, Renan dizia que a oposição está querendo paralisar o País. ''CPI, agora, virou uma verdadeira obsessão. Vocês não vêem que precisamos discutir uma agenda positiva, votar a Lei de Falências e avançar na reforma do Judiciário?'', perguntou.
Em resposta, o estridente senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, ironizou: ''Saúdo os seus conhecimentos médicos sobre obsessão, mas quero dizer aqui que, se o governo não tem agenda, não é problema da oposição''. Bombardeado, o líder do governo no Senado, Aloízio Mercadante (PT-SP), resumiu assim o seu estado de ânimo, no fim de mais uma tensa sexta-feira: ''Estamos aqui, dia-a-dia, quebrando pedra''. (V.R.)





