Lucinéia Parra
De Maringá
Apesar da desistência dos vereadores Nilton Tuller (PSDB) e Edith Dias (PFL), a Comissão Especial de Investigação (CEI) do Narcotráfico em Maringá vai continuar os trabalhos. A informação é do vereador Miguelzinho de Oliveira (PMDB), que ajudou a criar a comissão. No lugar de Edith, integra a comissão como relator, o vereador José Maria dos Santos (PSB). Edith abandonou os trabalhos explicando que pensou melhor e concluiu que investigação contra narcotraficantes quem faz é a Polícia. Já o pastor Nilton Tuller alegou estar cansado. Os dois vereadores, entretanto, teriam abandonado os trabalhos em função de ameaças.
Miguelzinho acredita que os vereadores não ‘‘aguentaram as pressões porque são pessoas de bem que não estão acostumadas a se envolver com o mundo do crime’’. Ele garante que vai continuar reunindo denúncias contra traficantes de Maringá e região. A CEI, conforme Miguelzinho, vai atuar como uma espécie de informante da comissão estadual. A idéia é ‘‘filtrar’’ as denúncias e encaminhar as mais contundentes para futuras investigações.
‘‘Em Maringá, não temos estrutura para comandar as investigações mais profundas, mas vamos reunir as denúncias e estar em contato permanente com a comissão estadual’’, explicou. Segundo ele, desde que foi instalada a CEI, há cerca de dez dias, o disk-narcotráfico (0800-444142) já registrou dezenas de denúncias de ‘‘traficantes de Maringá e região’’. ‘‘Tem gente com esquema forte principalmente na região e nós vamos denunciar à CEI estadual’’, afirmou.
Miguelzinho é policial e diz não temer as pressões sofridas. ‘‘Estou acostumado a mexer com o lixo da sociedade e não me deixo levar pelas ameaças porque elas sempre existiram na minha vida’’, declarou. Ele prefere não revelar pistas sobre as denúncias, mas afirmou que até fevereiro encaminha o primeiro relatório para o deputado estadual Angelo Vanhoni (PT), presidente da CEI da Assembléia Legislativa.

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