Ameaça faz Moraes desistir de emendas
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segunda-feira, 18 de maio de 2009
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Temendo sofrer represálias dentro do PMDB, o deputado estadual Mauro Moraes (PMDB) resolveu retirar ontem à tarde as três emendas que apresentou ao projeto de lei do Executivo que prevê um reajuste geral de 6% aos funcionários públicos ativos, inativos e pensionistas do Estado. As emendas defendiam um reajuste geral maior, de 21%, a professores e policiais civis e militares, mas o governo do Estado alega que os cofres públicos não sustentariam um índice superior ao proposto. ''Infelizmente vamos ter que dar um passo para trás para continuar lutando. Se eu desrespeitar a decisão do partido posso ser expulso. O mandato é do partido'', disse o peemedebista.
Na semana passada, a bancada do PMDB fechou questão sobre o tema e aprovou penalidades para quem votasse contrário ao projeto original. A decisão do grupo também segue afinada com o discurso do governador Roberto Requião (PMDB), que na última ''escolinha'' chamou de ''irresponsáveis'' os parlamentares que defendem emendas ao reajuste geral.
Embora Moraes tenha recuado, os demais parlamentares que assinaram as três emendas em apoio ao peemedebista prometem questionar a desistência. Além destas emendas, foram apresentadas outras 14 emendas ao projeto original: sete são de autoria da bancada do PT e sete são assinadas pela oposição. Os petistas, pertencentes à base aliada, prometem não recuar. ''Não estamos afrontando o governador Requião. Só atendemos a uma reivindicação dos servidores públicos que achamos justa'', disse Professor Lemos (PT).
Ontem pela manhã, as 17 emendas chegaram a entrar na pauta da reunião extraordinária da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas a análise delas acabou adiada para hoje, após um pedido de vista. A oposição estava em menor número na CCJ, daí o pedido de vista elaborado pelo deputado Luiz Carlos Martins (PDT).
O relator das emendas na CCJ, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), já antecipou ontem que seu parecer é contrário: ''Proposta que prevê aumento de despesa é de competência privativa do Executivo. As emendas são ilegais''. Independente do resultado da CCJ, o projeto deve ser levado ao plenário já na tarde de hoje. Mesmo se receberem parecer contrário da CCJ, as emendas seguem para nova votação em plenário. Líder da base da situação, Romanelli admite que a estratégia no plenário será tentar votar as emendas em bloco.


