A Polícia Federal realizou uma delicada operação ontem para retirar um artefato localizado pela segurança do Senado a alguns metros do plenário, depois de receber um telefonema anônimo informando que havia uma bomba no prédio. O informante, ‘‘um homem de voz calma’’, segundo o diretor de segurança do Senado, Clayton Zanlorenci, ligou pouco depois das 15h para um dos poucos aparelhos de telefone da Casa que não possui bina (aparelho que aponta o número do telefone que está ligando), instalado no 18º andar, numa sala ocupada por integrantes do Corpo de Bombeiros. O fato reforça a suspeita da segurança de que algum servidor da Casa está envolvido no episódio. No telefonema, o informante avisou que havia uma bomba próxima ao plenário e que explodiria dentro de 20 ou 30 minutos. Ele concluiu o aviso dizendo: ‘‘O bicho vai pegar’’.
Após o telefonema, um pacote enrolado com plástico preto, com um envelope pardo ao lado, foi localizado no chamado Túnel do Tempo, que liga a área do plenário ao gabinete dos senadores. Segundo Zanlorenci, o pacote continha sachê de maionese, fotos do Senado, papel higiênico e gás lacrimogêneo, que provoca ardência nos olhos. Em função do telefonema anônimo, a área próxima ao Senado foi isolada, inclusive a sala onde funciona o comitê de imprensa. O diretor de segurança disse que dificilmente o artefato provocaria algum efeito, mas o trabalho de remoção exigiu todo cuidado da Polícia Federal. O momento mais delicado da operação foi quando os peritos explodiram um detonador perto do pacote, com a intenção de dispará-lo, caso se tratasse realmente de uma bomba. (A.E.)

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