Ameaça de bomba agita AL Mauro Frasson James Alberti De Curitiba A sessão da CPI do Narcotráfico de ontem foi interrompida às 15 horas, depois de 40 ligações informando a existência de uma bomba no Plenarinho da Assembléia. Feitas à chefia da segurança da Casa, duas das ligações foram incisivas e preocuparam o responsável pelo setor, Marco Aurélio Arpino, que comunicou à CPI. As ligações ocorreram às 12h30 e 13h10. Os deputados da Comissão Parlamentar disseram não acreditar nas ameaças, mas assim mesmo pararam os trabalhos por medida de segurança. Apesar do pedido de calma ao plenário, a comunicação das ameaças provocaram temor e um ligeiro empurra-empurra entre deputados e jornalistas que assistiam à sessão. Nada semelhante ao ocorrido na noite de anteontem, quando foi disparado um tiro contra uma porta da casa e provocou grande tumulto, ferindo levemente alguns dos presentes. Depois de uma varredura de 30 minutos, um soldado do Grupo Antibombas, da Polícia Militar, não encontrou nenhum evidência de explosivos. ‘‘Acredito que sejam técnicas para retardar a oitiva da CPI, mas eles não vão conseguir nada’’, disse o deputado Moroni Torgan. Os incidentes não foram suficientes, no entanto, para fazer com que a CPI permanecesse mais um dia no Estado. Por conta da falta de tempo, o deputado Robson Tuma disse que a CPI poder voltar ao Estado ou os indiciados e testemunhas podem ser chamados para depor em Brasília. ‘‘As pessoas que estão envolvidas não querem, em hipótese alguma, que a CPI chegue a algum lugar. Como eles sabem que o tempo é o maior inimigo que nós temos, eles querem trabalhar com isso, querem tumultuar’’, afirmou o deputado Lino Rossi (PMDB-RS). ‘‘Esses bandidos envolvidos com o narcotráfico não têm coragem de agir dessa forma usando bomba. Isso é só para atrapalhar.’’ No embalo das denúncias envolvendo policiais, o deputado gaúcho creditou para estes as ameaças de bomba. ‘‘Eles estão acostumados a agir na surdina, atrás de uma insígnia. Usavam pessoas para poder traficar, roubar, achacar. Não são homens capazes de agir com a cara limpa’’, disse Rossi. Após a varredura, a sessão recomeçou tranquila. Do lado de fora, porém, a chegada um camburão da Polícia Federal provocou corre-corre de jornalistas. ‘‘É o grupo antibombas da PF’’, acalmou Robson Tuma. Segundo ele, os agentes foram chamados para evitar que os depoimentos tivessem que ser novamente interrompidos por outras ameaças.