Ambulantes apelam para não sair do Terminal
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terça-feira, 25 de agosto de 2009
Fernanda Borgese Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Um grupo de ambulantes que trabalha em frente ao Terminal Urbano de Londrina deve se reunir hoje com o prefeito Barbosa Neto (PDT) para tentar reverter a notificação feita ontem pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU). Os trabalhadores têm prazo de cinco dias para retirar as barracas do local. Ontem, o grupo esteve na Câmara de Vereadores para buscar apoio político.
De acordo com o diretor de trânsito da CMTU, Sérgio Dalbem, a ação atende a uma determinação da promotora de Defesa das Pessoas Portadoras de Deficiência de Londrina, Solange Novaes Vicentin, que cobrou ações de acessibilidade por parte do poder público aos portadores de deficiência que passam pelo Terminal. Uma entrada para o Terminal, pela Rua Benjamin Constant - local onde os ambulantes trabalham - está prevista para ser construída. Hoje, as calçadas do local estão em boa parte tomadas pela ação dos ambulantes.
Ao todo 18 ambulantes trabalham no local de forma irregular. Alguns deles completam 25 anos de trabalho. Mateus Costa, há dois anos no local, diz estar insatisfeito com a notificação. ''Tem gente que criou seus filhos por conta desse trabalho. Nós queremos melhorias para continuar trabalhando aqui e não ter que parar com o nosso sustento'', contou.
Na Câmara
Ontem à tarde, o grupo se reuniu com o presidente da Câmara, José Roque Neto (PTB), antes da sessão, e alguns tomaram a palavra, em plenário, durante o grande expediente. O líder do Executivo, Sebastião Raimundo da Silva (PDT), se comprometeu a formar uma comissão para intermediar o diálogo entre a administração, a Promotoria e os ambulantes.
Dona de um carrinho de lanches que tira cerca de R$ 4 mil mensais, a ambulante Lédna Mendes afirmou que a disposição do grupo não é a de deixar a área. Ela levou consigo cópia de uma declaração assinada pelo prefeito Barbosa Neto (PDT) no último dia 25 de março (quatro dias antes do novo segundo turno) no qual ele se comprometia a fazer melhorias no Terminal, em relação aos portadores de deficiência. No ofício, o então candidato ainda assumia ''permanência e melhorias para os vendedores ambulantes da calçada da Rua Benjamin Constant''.
O líder do prefeito na Câmara minimizou o documento: disse ter conversado com Barbosa sobre o ofício da campanha, mas que, ''agora, a gente segue o que a Promotoria está recomendando''. ''Nem que seja em feiras-livres, vamos dar um jeito de alocar esse pessoal, mas vamos conversar com a promotora e a CMTU, antes'', concluiu.
''A gente precisa trabalhar, e para quem está ali há 20 anos, não é em cinco dias que se muda assim. Somos a favor da acessibilidade, mas não aceitamos outra alternativa que não o Terminal'', sugeriu.
Os ambulantes também foram ao Ministério Público. Lédna enfatizou que eles não vão desistir de continuar no local. ''Vamos ver o que o prefeito vai nos dizer disso, porque até hoje sempre que precisamos ele nos recebeu. Precisamos chegar a algum acordo porque não podemos abandonar nosso trabalho'', disse.


