Ambulância é moeda eleitoral
Cobiçadas como moeda eleitoral, as ambulâncias para cidades pequenas transportarem seus doentes até a capital - o que livra o prefeito do interior de ter de melhorar o serviço de saúde local - ainda não começaram a ser distribuídas. Mas já é possível saber quem não deverá ganhar.
O Ministério da Saúde, que empenhou R$ 4,8 milhões do Orçamento do ano passado para aquisição de unidades móveis de saúde, deixou de reservar dinheiro para emendas que garantiriam esse equipamento para 29 municípios. Cerca de 80% dessas emendas foram apresentadas por parlamentares contrários às reformas.
Para unidade móvel de saúde, que permite o deslocamento do atendimento médico, nós vamos liberar; para âmbulância, não, justifica o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Barjas Negri. No entanto, todas as 29 cidades que estão sem empenho escreveram unidade móvel de saúde em seus pedidos.
A bancada dos sem-ambulância é suprapartidária e dela fazem parte até companheiros de legenda do presidente Fernando Henrique Cardoso. Considerado um tucano rebelde, o deputado paulista Tuga Angerami, que disse não à quebra da estabilidade nos dois turnos, não teve nenhum centavo reservado para a compra de ambulâncias destinadas a Macatuba e Pederneiras.
Autora da lei que impede os Estados e municípios de gastar mais de 60% de sua receita com a folha de pagamentos, a deputada Rita Camata (PMDB-ES), também contrária à quebra da estabilidade do funcionalismo, não conseguiu garantir ambulância para a prefeitura de Laranja da Terra. A lista das cidades prejudicadas com a falta de ambulância vai de Oiapoque, no Amapá, a Garruchos, no Rio Grande do Sul. (A.E.)





