Ambiente não é o melhor, admite defesa de doleiro
Curitiba - Ao fim da audiência que contou com o primeiro depoimento de Meire Poza, considerada uma testemunha chave dentro da Operação Lava Jato, ontem de manhã, na Justiça Federal, em Curitiba, o advogado de Alberto Youssef demonstrou otimismo, entretanto, a maior preocupação de Antônio Figueiredo Basto estaria relacionada às demais ações penais em que o doleiro é citado como réu, em especial o processo que investiga supostos desvios de recursos públicos oriundos das obras da Refinaria Abreu e Lima, da Petrobras, em Pernambuco. É nesta ação penal que seu cliente é apontado como líder de um esquema criminoso de lavagem de dinheiro em conjunto com o ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa.
"O ambiente evidentemente não é o melhor, sabemos disso. As acusações são pesadas e o MPF vem a cada dia colocando outras denúncias. Não temos obtido êxito nos tribunais superiores, entramos com uma medida cautelar no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e talvez possamos obter alguma coisa", adiantou.
Na próxima segunda-feira, Meire retorna novamente à 13ª Vara Criminal Federal, desta vez convocada pelo Ministério Público Federal (MPF). Na ocasião ela deve prestar esclarecimentos sobre a série de denúncias relatadas à revista Veja da semana passada, em que cita o desvio de dinheiro de obras da Petrobras por meio de esquemas envolvendo empreiteiras, além do repasse de valores robustos a políticos e partidos. A ex-contadora de Youssef também já prestou depoimento na CPMI do Senado na semana passada.
Além de citar na revista que Youssef "era um banco, pagava contas, emprestava, dava presentes", Meire ressaltou que entregou à PF notas fiscais e cópias de documentos de toda a movimentação que envolvia a GFD Investimentos, de propriedade do doleiro.
"Vamos continuar insistindo, acredito que mais para frente, pode demorar um pouco, vamos conseguir reverter, se não 100%, mas uma boa parcela deste quadro. Sabemos que é difícil, nossa perspectiva não é boa na Justiça de primeiro grau até porque há um convencimento formado contra meu cliente. Vamos continuar lutando", completou Basto. (R.C.J.)





