AMB quer Pertence contra FHC em 98
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terça-feira, 28 de outubro de 1997
Agência Estado Recife 
Arquivo FolhaAcordosPertence: ministro do STF jantou com Miguel Arraes, presidente do PSBA magistratura brasileira está coesa em torno do nome do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Sepúlveda Pertence, como candidato à Presidência da República. A afirmação é do presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), desembargador Paulo Medina, para quem o ministro é um homem capaz de conduzir o Brasil ao encontro de suas maiores aspirações sociais, econômicas e políticas.
Medina, que preside o 15º Congresso Nacional de Magistrados, que reúne mil juízes e termina hoje no Recife, afirmou, porém, que a magistratura não fará campanha e pedidos, não realizará propostas e nem promoverá debates visando ao lançamento da candidatura do ministro. Se isso vier a ocorrer, segundo ele, será por iniciativa de partidos políticos.
Ele disse também que o 15º Congresso Nacional - que tem por temas a cidadania e a justiça - não serviu de palco para articulações nesse sentido. Não houve atos nem moções, frisou. Mas acredito que o voto individual de cada um de nós poderá ser do ministro Pertence, vindo ele a traduzir a vontade superior das forças políticas brasileiras.
O presidente da AMB elogiou o ministro, destacando o passado dele, sua atuação firme nos momentos de incerteza e a visão construtiva para um futuro promissor, assegurando que o apoio da magistratura ao nome de Pertence não se condiciona à defesa de uma aposentadoria integral do Judiciário na reforma da Previdência.
Medina também arriscou afirmar que Pertence não se recusará a ser candidato se seu nome se consolidar como consenso de forças políticas contrárias ao governo Fernando Henrique Cardoso. O ministro foi procurado para conversar pelo PT, PSB e PC do B.
Pertence jantou anteontem à noite com o governador Miguel Arraes, que é presidente nacional do PSB. O encontro, porém, não parece ter representado nenhum avanço nesse sentido. Em entrevista, ontem, o governador disse não ter conversado sobre sucessão, nem sobre uma possível filiação do ministro ao PSB.
O governador nada disse de objetivo em relação à formação de uma frente de centro-esquerda, afirmou haver muito tempo ainda para a definição do nome de um candidato e não descartou nem demonstrou preferência por ninguém.
O deputado federal José Genoíno (PT-SP) disse ontem que a indicação do nome do vice para compor com Luiz Inácio Lula da Silva a chapa que disputará a Presidência da República em 98 só deve ser feita depois de debates internos e com PSB, PDT e PC do B, os partidos que compõem a frente de oposição. Segundo Genoíno, isso evitaria o desgaste partidário, como está acontecendo no PT-RJ.
Houve precipitação, a questão do vice deve ser decidida pelo conjunto de partidos e, como estamos numa eleição casada, temos que costurar as duas pontas, a das alianças nacionais e a das regionais, explicou. Integrante da Executiva Nacional, Genoíno disse que está havendo muita cautela da Executiva para não atropelar as decisões regionais. No entanto, destacou que houve precipitação política dos dois lados: do PT nacional, ao bancar a dobradinha Lula-Brizola, e do PT-RJ, ao rejeitar um acordo de coligação PT-PDT e optar por candidatura própria ao governo estadual.


