AMB e OAB repudiam reforma do Judiciário
Agência Estado
Em nota divulgada ontem, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) manifestam seu veemente repúdio ao projeto de reforma do Judiciário apresentado pelo relator da comissão especial da Câmara, deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP. Segundo a nota, o modelo proposto, além de concentrar poderes na cúpula, aponta para um Judiciário vertical, integrado por juízes sem garantias, engessados e vulneráveis - o que certamente representará uma redução dos direitos da cidadania e uma ameaça ao estado democrático de direito.
Ainda conforme a nota, o projeto representa um retrocesso para moldar a Justiça à feição daquela pretendida pelo regime militar com o pacote de abril, que só foi possível com o fechamento do Congresso. Segundo a nota, ao que parece, o resultado do trabalho do relator busca mostrar aos investidores internacionais que o Brasil, além de seus generosos incentivos fiscais, tem a oferecer, ainda, um Poder Judiciário dócil aos seus interesses. O FMI quer globalizar também a Justiça brasileira.
Limitando excessivamente as garantias da magistratura e a função do juiz, através de restrições inaceitáveis, a reforma proposta pretende transformar o magistrado em mero burocrata, afirma ainda a nota, constatando: Diante de tantos atentados à independência do Judiciário, chega-se à conclusão de que o resultado da reforma será pior do que conviver com a histórica morosidade da Justiça. A nota é assinada pelos presidentes da AMB, Luiz Fernando de Carvalho, e da OAB, Rginaldo de Castro.





