O governador do Amazonas, Amazonino Mendes (PFL), suspeito de participar da compra de votos em favor da reeleição, recusou-se na madrugada de ontem a abrir mão de seu sigilo bancário, fiscal e telefônico. Em sinal de protesto, os deputados do bloco de oposição (formado por PT, PDT, PSB e PC do B) se retiraram da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde Amazonino prestava depoimento. Eles alegaram que, sem a possibilidade de quebrar o sigilo, o depoimento não ajudaria a esclarecer nada sobre a compra de votos.
A previsão acabou se confirmando. Amazonino negou qualquer envolvimento e vários deputados se limitaram a reconhecer que não dispunham de elementos para contestá-lo. ‘‘Não temos nada diante dos depoimentos prestados pelo governador e pelo ministro Sérgio Motta (Comunicações). Sugiro que o relator considere até a reabilitação dos colegas que renunciaram, já que cometeram um crime impossível’’, ironizou o deputado Jarbas Lima (PPB-RS).
No início do depoimento, Amazonino foi provocado pelo deputado Matheus Schmidt (RS), vice-líder do PDT, que pediu uma definição sobre a eventual quebra de sigilo. O governador disse que já estava abrindo mão de uma prerrogativa do cargo ao comparecer à comissão. ‘‘Não abrirei mão das outras prerrogativas. É uma questão institucional’’, afirmou.
Amazonino admitiu ter ‘‘trabalhado com empenho’’ em favor da emenda da reeleição, mas negou qualquer contato com deputados do Acre com esse objetivo.

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