Amazonas critica retrocesso
Kraw PenasANÁLISEJoão Amazonas: ‘‘Estamos numa liquidação total. Só falta a Petrobrás, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica’’O presidente nacional do PC do B, João Amazonas, disse ontem à tarde, em Curitiba, que o Brasil vive um ‘‘retrocesso político e econômico’’. Aos 87 anos, lúcido e comunista convicto, João Amazonas afirmou que as conquistas obtidas pelo País durante a gestão de Getúlio Vargas estão sendo ‘‘esmagadas’’ pelos governos neoliberais, sobretudo o atual, do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). ‘‘As estatais estão sendo privatizadas. Estamos numa liquidação geral. Só falta agora a Petrobrás, a Caixa Econômica e o Banco do Brasil’’, declarou.
João Amazonas esteve em Curitiba para lançar seu mais novo livro ‘‘Os desafios do Socialismo no século XXI’’. O presidente nacional do PC do B criticou ainda as reformas política e previdenciária. Disse que faltou profundidade nas discussões.
‘‘Estão criando cláusulas de barreira para nos calar. Toda essa confusão existente nos campos político e econômico são inerentes ao sistema capitalista’’. João Amazonas destacou ainda o desemprego como um ponto preocupante, que, na sua avaliação, se agrava a cada dia por conta do sistema.
O dirigente defendeu o socialismo como a solução para os problemas. Ressaltou, entretanto, que o Brasil vive hoje um processo de transição. ‘‘Que até pode evoluir para o socialismo. Sou comunista, socialista, convencido de que isso será a solução para o mundo.’’
João Amazonas fez um retrospectiva do fim do socialismo na antiga União Soviética. Este é um dos principais temas do seu livro, publicado pela Editora Anita Garibaldi. E disse que mais que uma revolução burguesa, a mudança de sistema na União Soviética foi desencadeada por ‘‘forças internas’’.
‘‘Foram detectados erros que precisam ser revistos. A Revolução Cultural chinesa, por exemplo, cometeu muitos excessos’’, ponderou ele.
Para o comunista, ‘‘o socialismo é a nova forma de organização da sociedade futura’’. ‘‘Precisamos retomar o assunto, mas desta vez, com o espírito mais crítico. Para não cometermos os mesmos erros’’, observou.
João Amazonas disse que o PC do B passou a crescer no Brasil a partir de 1985, passando a ser uma ‘‘força respeitada’’. Mas admite que é difícil ser oposição no Brasil porque faltam operários e camponeses no Congresso. (L.D.)

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