Amato é peça para desvendar conexão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de janeiro de 2001
Paulo San Martin Agência Estado De São Paulo 
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico da Assembléia Legislativa de São Paulo acredita que Jaime Amato Filho, preso semana passada no Paraguai em uma operação conjunta entre Polícia Federal, agência antinarcóticos dos Estados Unidos (DEA) e Secretaria Antidrogas do governo paraguaio, é a peça que faltava para desvendar a extensão internacional da chamada Conexão Atibaia e das rotas de distribuição de drogas que partem das cidades de São José do Rio Preto e São José dos Campos, no interior paulista.
Amato, considerado braço-direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, era caçado há mais de um ano pela polícia brasileira e pelo DEA. A Conexão Atibaia é o esquema de sustentação aérea do narcotráfico montado a partir de hangares instalados no aeroporto da estância hidromineral, a 80 quilômetros de São Paulo. E São José do Rio Preto, outra rota de distribuição de drogas onde Amato atuava, foi uma das regiões mais investigadas pela CPI.
O roteiro das ligações de Amato com a Conexão Atibaia e cidades do interior paulista foi desenhado pela CPI do Narcotráfico da Câmara dos Deputados, encerrada em novembro, a partir de investigações realizadas no Rio de Janeiro e no Paraná. No final de 99, a Polícia Federal colocou as mãos em uma relação de propriedades e empresas ligadas ao traficante Fernandinho Beira-Mar. Entre elas, apareciam duas empresas instaladas em Curitiba, no Paraná, lembra a deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), que integrou a CPI federal.
Uma destas empresas, a ANR Materiais de Construção, instalada no município de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, esteve registrada no nome de Beira-Mar até o final de 1999. A polícia suspeita que era utilizada para lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Depois, foi transferida para Ricardo Barcellos, amigo de infância do traficante. Barcellos está sob investigação policial, mas até agora não foram encontrados indícios que o liguem à quadrilha. Ele garante que o único vínculo que tem com Beira-Mar é a antiga amizade.
Mas, a partir desta descoberta, as polícias Federal e Civil passaram a investigar nomes de pessoas que estiveram ligadas ou fizeram negócios com a ANR, no tempo em que pertencera à Beira-Mar. As investigações chegaram a um homem, chamado Aquiles Prestes, que havia cumprido pena na Penitenciária de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Mas quem mais chamou a atenção da polícia foi o homem que vivia com Prestes e, aparentemente, era o verdadeiro chefe do negócio.
Este homem começara a construir uma verdadeira fortaleza na favela Morro do Piolho, entrada de Curitiba. Ele utilizava vários nomes falsos, mas logo a polícia descobriu sua verdadeira identidade: Jaime Amato Filho. Amato já havia sido indiciado por tráfico de drogas no Rio de Janeiro e cumprira pena de três anos no mesmo presídio onde Prestes estivera preso, em Piraquara. A polícia começou a investigá-lo mais a fundo e descobriu que ele vivera na mesma favela que Beira-Mar, em Duque de Caxias (RJ).
A partir destes indícios, em outubro de 99, a justiça paranaense autorizou escuta telefônica de Prestes e Amato. Foram gravadas dezenas de horas de conversas telefônicas dos dois, em vários aparelhos fixos e celulares, inclusive celulares clonados. As contas telefônicas de Amato indicaram que a quadrilha utilizava um telefone móvel marítimo.


