Amaral e Crisóstomo deixam PMDB
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terça-feira, 24 de junho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaHistóricoDurval Amaral: Após 20 anos de militância, saio do PMDBOs deputados Durval Amaral e Cleiton Kielse Crisóstomo não estão mais filiados no PMDB. A decisão foi formalizada ontem, durante uma reunião tensa da bancada estadual, na Assembléia Legislativa. Os deputados foram forçados a se desligar do partido por terem se recusado a assinar o projeto de resolução que cria uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os contratos do governo com as montadoras de veículos.
Nem o choro de Crisóstomo, com um discurso municipalista inflamado, sensibilizou os oito deputados do PMDB que não aceitaram o pedido de prorrogação feito pelos infiéis. Durval e Crisóstomo, na realidade, já esperavam a punição da bancada. Na última sexta-feira, o líder do grupo, Orlando Pessuti, sinalizava a aplicação de uma pena (o desligamento, não desfiliação), o que serviu como precaução para os deputados.
Durval Amaral não compareceu à reunião. Preferiu mandar cópias de uma carta informando o seu desligamento partidário desde o último dia 17. O documento também foi enviado ao presidente do diretório municipal do PMDB de Cambé, Osmarino Manzoni. Após 20 anos de militância, saio do PMDB, diz a carta de despedida.
Arquivo FolhaLágrimasCleiton Crisóstomo: choro e discurso municipalista na despedida
Com a desfiliação, ambos perdem suas vagas nas comissões permanentes da Assembléia. Amaral não é mais o relator da Comissão de Orçamento nem o vice-presidente da de Obras Públicas. No seu lugar ficam Renato Adur e Sâmis da Silva. Crisóstomo fica sem as comissões de Saúde e de Ecologia e Meio Ambiente. Pessuti e Nereu Moura assumem os postos, respectivamente.
A data da desfiliação de Amaral - dia 17 - pode causar ainda polêmica na Assembléia. O PMDB, o dono da relatoria do Orçamento, pode questionar a validade jurídica do substitutivo geral da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) feito nos últimos dois dias por Amaral e que deve ir a plenário hoje.
A briga em torno da manutenção de Amaral e Crisóstomo no PMDB não é de agora. A CPI das montadoras foi uma desculpa da bancada para se livrar dos parlamentares, que em muitas oportunidades mostraram-se mais aliados do governo que do PMDB. A permanência de ambos foi conveniente para a bancada que, em fevereiro passado, conseguiu garantir mais espaço nas comissões, devido ao número de deputados filiados.


