O líder do governo na Assembléia Legislativa, Durval Amaral (PFL), disse ontem que as investições da CPI da Telefonia – que começou a apurar as denúncias de escutas telefônicas no Palácio Iguaçu – podem ser consideradas ‘‘nulas’’, porque a comissão não foi criada com o objetivo de apurar grampos, e sim reclamações de clientes sobre empresas de telefonia fixa e móvel.
‘‘Qualquer um que se sinta prejudicado por uma CPI que pareça mais coercitiva do que esclarecedora pode buscar a nulidade da comissão’’, declarou. O governo, entretanto, não tem uma estratégia clara para reverter o rumo das investigações e colocar a CPI da Telefonia na rota original. ‘‘Acredito que a CPI vai conduzir suas ações seguindo as razões que lhe deram origem’’, afirmou Amaral.
O relator Algaci Túlio (PTB) disse que entre as irrregularidades denunciadas por usuários estão grampos feitos por empresas terceirizadas em telefones particulares – o que permite à CPI seguir esse caminho.
Amaral disse que não vai barrar os trabalhos da comissão. O presidente da Casa, Hermas Brandão (PTB), garante que a comissão tem o direito de investigar e convocar quem quiser.
Durante a sessão plenária de ontem, a oposição ficou preocupada com a possibilidade do governo tentar invalidar a CPI. O deputado Nereu Moura (PMDB) disse que o governo alegaria um problema no pedido de instalação, que estava previsto através de projeto que deveria ser votado. O tumulto foi resolvido depois que Amaral afirmou que a criação da CPI também havia sido pedida por requerimento. ‘‘Além disso, a efetiva instalação da comissão serve para sanar qualquer vício de origem’’, argumentou – acalmando os ânimos na bancada da oposição, que tem a maoiria na CPI da Telefonia. ‘‘O governo está com medo porque deu um tiro no p钒, disparou o líder do PMDB, Nereu Moura. ‘‘Se invalidarem essa, vamos instalar mais rápido as CPIs do Pedágio e dos Jogos Mundiais da Natureza’’, emendou.
O requerimento da oposição, solicitando que a Secretaria de Segurança garantisse segurança 24 horas ao cabo Luiz Antônio Jordão, ao soldado Afrânio de Sá e ao advogado Peter Amaro de Sousa, não foi votado por falta de quórum na sessão.

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