Amaral ameaça abandonar PMDB
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quinta-feira, 19 de junho de 1997
Curitiba 
O deputado Durval Amaral disse ontem que vai se desfiliar do PMDB se a bancada estadual insistir em puni-lo pela não-assinatura do projeto de resolução que cria uma CPI para investigar a instalação das montadoras de veículos no Paraná. A promessa em tom de ameaça foi feita durante uma lavagem de roupa suja entre o peemedebista e o líder da bancada, Orlando Pessuti, minutos antes de vencer o prazo do ultimato dado a Amaral e ao deputado Cleiton Crisóstomo, também acusado de infidelidade.
Amaral entregou - em seu nome e de Crisóstomo -, por volta das 16 horas, um pedido de prorrogação do prazo para a manifestação oficial. Os parlamentares, que já decidiram não aderir à CPI, querem ganhar mais tempo e alegam que a bancada precisa aguardar primeiro a definição da Justiça quanto ao mandado de segurança ajuizado pelo PT e PMDB na última quarta-feira, antes de tomar uma medida.
Lerner O governador Jaime Lerner reagiu com tranquilidade ao mandado de segurança ajuizado na última quarta-feira pelas bancadas estaduais do PT e do PMDB, que querem pela via judicial a divulgação do protocolo firmado pelo governo com a montadora Renault. Eles são oposição, e adversários não jogam flores nessas horas, declarou.
Lerner disse que a oposição sempre vai tentar criar uma visão falsa dos fatos. O governo continua trabalhando normalmente e esta medida judicial não vai alterar os nossos planos, garantiu o governador, depois de ter dado uma palestra aos presidentes das associações dos municípios do Paraná, ontem à tarde no Palácio Iguaçu.
O secretário da Indústria e do Comércio, Nelson Justus, disse ontem que os deputados de oposição ao governo na Assembléia Legislativa anteciparam o início do período eleitoral ao mudar o discurso em relação aos investimentos externos que estão sendo anunciados no Paraná. Para ele, o pedido de instalação de uma CPI, que vem sendo articulado, é uma tentativa de sobrevivência da oposição para as eleições estaduais do próximo ano.
Eu ainda estava na Assembléia quando os deputados do PMDB comemoravam o anúncio da Renault, diz o secretário, que para assumir o cargo, teve de licenciar-se do Legislativo. Justus afirma que a oposição tem pesquisa de opinião pública que aponta a Renault como a principal obra do governo Lerner. Eles têm medo do efeito positivo que isso trará para nós, avalia. (L.D.)


