O deputado Durval Amaral disse ontem que vai se desfiliar do PMDB se a bancada estadual insistir em puni-lo pela não-assinatura do projeto de resolução que cria uma CPI para investigar a instalação das montadoras de veículos no Paraná. A promessa em tom de ameaça foi feita durante uma ‘lavagem de roupa suja’ entre o peemedebista e o líder da bancada, Orlando Pessuti, minutos antes de vencer o prazo do ‘ultimato’ dado a Amaral e ao deputado Cleiton Crisóstomo, também acusado de infidelidade.
Amaral entregou - em seu nome e de Crisóstomo -, por volta das 16 horas, um pedido de prorrogação do prazo para a manifestação oficial. Os parlamentares, que já decidiram não aderir à CPI, querem ganhar mais tempo e alegam que a bancada precisa aguardar primeiro a definição da Justiça quanto ao mandado de segurança ajuizado pelo PT e PMDB na última quarta-feira, antes de tomar uma medida.
Lerner O governador Jaime Lerner reagiu com tranquilidade ao mandado de segurança ajuizado na última quarta-feira pelas bancadas estaduais do PT e do PMDB, que querem pela via judicial a divulgação do protocolo firmado pelo governo com a montadora Renault. ‘‘Eles são oposição, e adversários não jogam flores nessas horas’’, declarou.
Lerner disse que a oposição ‘‘sempre vai tentar criar uma visão falsa dos fatos’’. ‘‘O governo continua trabalhando normalmente e esta medida judicial não vai alterar os nossos planos’’, garantiu o governador, depois de ter dado uma palestra aos presidentes das associações dos municípios do Paraná, ontem à tarde no Palácio Iguaçu.
O secretário da Indústria e do Comércio, Nelson Justus, disse ontem que os deputados de oposição ao governo na Assembléia Legislativa anteciparam o início do período eleitoral ‘‘ao mudar o discurso em relação aos investimentos externos que estão sendo anunciados no Paranᒒ. Para ele, o pedido de instalação de uma CPI, que vem sendo articulado, ‘‘é uma tentativa de sobrevivência da oposição para as eleições estaduais do próximo ano’’.
‘‘Eu ainda estava na Assembléia quando os deputados do PMDB comemoravam o anúncio da Renault’’, diz o secretário, que para assumir o cargo, teve de licenciar-se do Legislativo. Justus afirma que a oposição tem pesquisa de opinião pública que aponta a Renault como a principal obra do governo Lerner. ‘‘Eles têm medo do efeito positivo que isso trará para nós’’, avalia. (L.D.)

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