Alvo de protestos, Beto critica chamado de Aécio
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terça-feira, 28 de julho de 2015
Gustavo Uribe<br> Folhapress 
São Paulo - Alvo de protestos no primeiro semestre deste ano, o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), criticou ontem a decisão do presidente nacional do seu partido, Aécio Neves, de participar da convocação para a manifestação contra o governo federal marcada para 16 de agosto. A principal legenda de oposição à gestão de Dilma Rousseff (PT) pretende veicular inserções em cadeia nacional para atrair manifestantes para os protestos organizados por grupos que defendem o impeachment da presidente.
Para o governador, o envolvimento do partido na convocação é "desnecessário" e pode ser explorado pelo governo federal como uma iniciativa de caráter revanchista. Beto esteve em São Paulo para encontro com o governador paulista, Geraldo Alckmin - que disputa a cabeça de chapa de seu partido para 2018 com Aécio-, e outros governadores. "Nem sempre há unanimidade (no partido). Eu acho desnecessário (fazer a convocação). Nós tivemos grandes manifestações no país inteiro, sempre com chamamentos espontâneos", avaliou. "Acho desnecessário até para não ser explorado de forma indevida, que seria uma convocação de partidos adversários. Poderia parecer um revanchismo (se) explorado maldosamente", acrescentou.
O tucano lembrou ainda que os movimentos contrários à presidente costumam não aceitar as presenças nas manifestações populares de partidos, políticos ou "pessoas oportunistas que se infiltram com outros objetivos".
Em março, o governador já havia dito que não participaria dos protestos contra a presidente por considerar um impeachment uma "medida extrema". Na época, o tucano enfrentava protestos no Paraná, principalmente por parte do funcionalismo público. Professores da rede estadual, que chegaram a paralisar as suas atividades por mais de três semanas em protesto contra o atraso no pagamento de benefícios, chegaram a pedir até mesmo o afastamento do governador do cargo. Hoje, dia em que Beto Richa completa 50 anos de idade, sindicato dos professores organizou manifestações para relembrar o 29 de abril quando mais de 200 servidores estaduais ficaram feridos no Centro Cívico ao serem impedidos de se aproximar da Assembleia Legislativa que votava o projeto que alterou o regime de previdência do funcionalismo público.
Sobre a participação dos governadores do PSDB na reunião com a presidente Dilma Rousseff amanhã, em Brasília, o tucano falou em assumir responsabilidade para ajudar o país a atravessar a crise. Para Beto, a queda de arrecadação é um problema para governadores de situação e oposição. "Governos de oposição, de situação, todos acabamos sendo atingidos com esta grave crise, sobretudo nas arrecadações. Não ir pode parecer um boicote e um desprezo à realidade que o Brasil enfrenta", argumentou.
O tucano reclamou, porém, da "extravagante concentração de recursos em Brasília" que deixa os governadores "de joelhos, com o pires na mão". "Parece que querem cada vez mais as administrações fragilizadas e dependentes da administração central", afirmou.
Na reunião de amanhã, Dilma deve anunciar que não vetará a proposta aprovada pelo Congresso que permite a estados e municípios usarem os recursos de depósitos judiciais e administrativos. Com os recursos, os Estados poderão pagar precatórios, dívida pública, investimentos e despesas previdenciárias. (Com Agência Estado)


