Alvo de denúncias, empresa de merenda tem contrato renovado
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quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
No mesmo dia em que a Prefeitura de Londrina anunciou a renovação do contrato da merenda com a empresa SP Alimentação, representantes do Conselho de Alimentação Escolar (CAE) apresentaram ontem, na Câmara de Vereadores, denúncias recebidas em relação à qualidade e à quantidade do alimento fornecido. No final da tarde, o secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, admitiu que a administração renovou com a SP por mais 12 meses a um custo de até R$ 1,2 milhão menor que o contrato inicial, de quase R$ 10,5 milhões. A justificativa é o corte de metade do desjejum fornecido.
Estiveram no Legislativo, convidadas via requerimento, a presidente do CAE, Andreliane Godoy Maistrovicz, e Doris da Cruz, membro. De acordo com Andreliane, o conselho vem recebendo denúncias sobre eventuais disparidades na qualidade da merenda e na quantidade de refeições servidas - neste caso, em relação ao Caic do Jardim Santiago, na Zona Oeste. Ela se refere ao caso levado por uma professora do local, membro do CAE, segundo a qual, em junho passado, a SP teria recebido da Prefeitura por 26 mil refeições, mas supostamente servido 13 mil. O órgão encaminhou o caso no último dia 6 à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que tem investigação em curso sobre o contrato.
''Passamos essa denúncia também aos vereadores, pois sabemos que a Gestão já está averiguando o caso. Não podemos assegurar que houve de fato essa discrepância na quantidade, mas temos o lançamento de pagamento de 26 mil, contra o relatório do diretor do Caic afirmando que foram 13 mil'', afirmou a presidente do CAE.
Conforme ela, outros pontos que serão questionado junto à Gestão são a fiscalização e a gestão do contrato: pela cláusula oitava do documento - ao qual a FOLHA teve acesso -, a Prefeitura tem de nomear fiscais e gestor para conferir mensalmente a ''efetiva realização dos serviços contratados''. ''Sabemos que até alguns meses atrás uma única pessoa era gestora e fiscal do contrato da merenda: é humanamente impossível conciliar as duas atividades, que, a nosso ver, têm de ser independentes'', classificou Adrianeli, que ressalvou: ''Agora há três fiscais, mas acreditamos que a deficiência, antes, poderia influenciar na qualidade do serviço prestado''.
O secretário Jacks Dias admitiu a existência da denúncia, defendeu que ela não procede e adiantou: o contrato se arrastará por mais 12 meses. ''Temos um estudo feito pela equipe de fiscalização que reviu todo o serviço, em amostragem de quatro meses (maio a agosto), e ela não constatou irregularidades'', declarou. Dias rechaçou também suposta má qualidade de alimentos e pouca fiscalização. Ele alega que novo edital pode sair só ao fim da renovação em curso.
A reportagem não conseguiu contato com a SP em São Paulo nem em Londrina, ontem à noite. A uma emissora de TV, a empresa negou fraudes e comunicou que correções foram feitas a falhas apontadas pelo CAE.


