Alvaro vê fogo amigo por trás de dossiê
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segunda-feira, 07 de abril de 2008
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Após ter negado envolvimento no ''vazamento'' do suposto dossiê sobre os gastos da gestão FHC no Executivo, o senador Alvaro Dias (PSDB/PR) voltou ontem a levantar a hipótese do ''fogo amigo''. ''O presidente da República (Luiz Inácio Lula da Silva) antecipou o processo eleitoral. O dossiê pode ter partido de alguém de dentro do Executivo, de alguém que quis atingir a ministra Dilma. Na Casa Civil tem funcionários de carreira que trabalham lá há anos e é claro que alguns tem mais simpatia por alguns ministros do que por outros'', disse o tucano, sobre o fato do nome da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ser cogitado para as disputas eleitorais de 2010. Alvaro concedeu a entrevista em Curitiba, durante sua passagem pela Assembléia Legislativa do Paraná.
A tese do ''fogo amigo'' foi cogitada inicialmente, mas descartada por aliados petistas após o senador do Paraná admitir que teve acesso a parte do ''dossiê'' antes das informações serem publicadas pela revista Veja. Alvaro, contudo, negou novamente que tenha sido ele o responsável pelo ''vazamento'' do suposto dossiê à imprensa. ''Tive conhecimento de parte do dossiê, mas não fui a fonte da Veja. É uma tentativa de desviar o foco. Acho que só agora estão devolvendo as luzes para o Palácio do Planalto'', disse Alvaro, se referindo às investigações iniciadas pela Polícia Federal (PF). O senador reafirma que não revelará o nome da pessoa que repassou parte do suposto dossiê a ele, já que a fonte seria preservada por lei (parágrafo sexto do artigo 53 da Constituição Federal).
Alvaro também criticou a postura do governo federal desde o surgimento do suposto dossiê. ''O governo federal primeiro negou, depois admitiu o crime, mas não o criminoso. Aí tentou repassar a responsabilidade. Agora tentam encontrar uma solução confortável especialmente para a Dilma. Eles agora só falam no vazamento e não em quem elaborou o dossiê, ou seja, falam em consequências, não em causas. E o crime está em quem usa a máquina pública para elaborar o dossiê'', atacou o senador.
Para o senador, a responsabilidade é de fato da ministra-chefe. ''Em São Paulo, em fevereiro, quando a oposição falava sobre os cartões corporativos da gestão Lula, a Dilma anunciou que o governo federal não iria 'apanhar calado' e que preparava um dossiê. Foi declaração dela. Na sequência, coincidentemente, a liderança do governo federal no Senado se sentiu segura para propor uma CPI. Para mim, quem comandou a confecção do dossiê foi a Dilma, só cabe a ela dizer agora qual a participação do Lula.''
Sobre a possibilidade de integrar a CPI no Senado sobre os gastos do Executivo, Alvaro avisa que aguarda decisão partidária, mas que não acredita que seu nome seja escolhido após o episódio recente. ''Minha presença causa irritabilidade no governo federal. Mas poucos gostam de 'CPI complicada', então vamos aguardar. Eu gostaria de participar sim'', admitiu ele.


