Álvaro sonda pacto para evitar pressão de Roberto Requião
A oposição ao governador Jaime Lerner (PFL) está vendendo a imagem de união somente no segundo escalão. O presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), sinalizou no sábado que ainda está ressentido com a postura política do senador Roberto Requião (PMDB) em 94, que acabou contribuindo para a sua derrota nas urnas. E de que não está disposto a entregar de bandeja para o PMDB o direito de indicar o nome do candidato do grupo ao governo.
Álvaro reuniu-se em Caiobá, no litoral do Estado, com o presidente estadual do PPB, deputado federal José Janene, e com o pré-candidato pepebista ao Senado em 98, o empresário Tony Garcia. A conversa foi para intensificar as relações entre o PSDB e o PPB, aproveitando a crise da cúpula pepebista com alguns aliados ao Palácio Iguaçu. Há cerca de dez dias, Janene e o chefe da Casa Civil, Rafael Greca (PFL), protagonizaram um bate-boca pelos jornais.
O teor do encontro ainda não tomou corpo, mas pode resultar num pacto entre as duas siglas. Se o PMDB pressionar para indicar o cabeça, tentando empurrar à força Álvaro para uma candidatura ao Senado, os tucanos teriam como alternativa deixar a frente única integrada pelo PT e firmar aliança com o PPB. Na semana passada, Requião cobrou o direito de preferência do PMDB em escolher o candidato ao governo. Animado com a última pesquisa do Datafolha que o colocou empatado com Lerner, Álvaro teria visto nas declarações ameaça aos seus planos.
O caminho alternativo também facilitaria as articulações que o Palácio do Planalto reserva para o Paraná. Sem Requião, Álvaro não poderia ser criticado por Lerner de aliar-se a um opositor contumaz ao governo federal. Duas candidaturas de oposição ao governador poderiam também ajudar as oposições numa derrota de Lerner.
O quebra-gelo entre Álvaro e Tony Garcia foi reservado, sem a presença de José Janene. A possibilidade de uma união apenas com o PPB e demais siglas nanicas teria animado Garcia. Desde que se colocou como pré-candidato ao Senado, o empresário observa as movimentação do ex-governador. Teria, inclusive, cogitado desistir da idéia de concorrer caso Álvaro venha a disputar a cadeira, hoje ocupada pelo senador José Eduardo Vieira (PTB).





