O presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), almoçou ontem em Brasília com a bancada federal do PPB. As declarações do presidente estadual do PPB, José Janene, no início da semana, revelando uma tendência da sigla integrar-se à frente de oposição ao governador Jaime Lerner (PFL), animaram o presidente da Telepar, que também quer o apoio dos pepebistas para a sua candidatura em outubro. ‘‘Se eles (PPB) podem conversar com o governo, por que não podem fazer o mesmo conosco?’’, questionou.
O almoço com Álvaro foi no Hotel Naum. No cardápio, a ‘estréia’ do PPB na reunião da frente, na próxima segunda-feira. E os reflexos que o ingresso pode provocar interna e externamente. O ex-governador avisou aos deputados que não poderá participar da reunião, mas que vê com bons olhos a intenção da sigla. Álvaro, que desembarcou ontem à noite em Curitiba, volta para Brasília na segunda, para participar de mais uma reunião do Conselho Administrativo da Telebrás.
Álvaro passou a manhã tentando audiência com o ministro das Comunicações, Sérgio Motta, mas sem êxito. ‘‘Dentre questões administrativas, iríamos falar sobre a política no Paranᒒ, admite o ex-governador. Ele, no entanto, diz que a condução do processo político por parte do PSDB ‘‘está tranquila’’. ‘‘Não vamos exigir nenhum apoio exclusivo do presidente Fernando Henrique na disputa estadual. O Paraná é mais um dos estados onde o presidente tem problemas’’, observa.
Ele informa ainda que tem garantias do ministro de que poderá permanecer na Telepar até abril, prazo fatal para a desincompatibilização dos candidatos com cargos no Executivo. ‘‘O processo de privatização do sistema está se acelerando, mas eu sempre tive a certeza de que permaneceria na função’’, afirmou. De acordo com o plano de privatização anunciado pelo governo no final do ano passado, os cargos de presidentes de teles se extinguiriam até 30 de novembro, o que não aconteceu.
O almoço de Álvaro com a bancada do PPB irritou ainda mais os setores da frente, contrários ao ingresso dos pepebistas. O secretário geral do PC do B, Milton Alves, distribuiu nota ontem dizendo que ‘‘o que precisa é de um arco de alianças que fuja do tradicional oportunismo eleitoreiro’’. As declarações do secretário foram reforçadas pelo deputado federal Ricardo Gomyde, que se diz contra o ingresso do PPB na frente. ‘‘Não possuimos afinidades ideológicas ou programáticas com o PPB de Paulo Maluf’’, alega.
A insurreição isolada do PC do B foi criticada pelo PMDB. O deputado estadual Caíto Quintana disse que o momento é de conversações e que ‘‘os partidos de oposição têm um objetivo comum, acima de qualquer questínculas’’. Quintana diz ser contra o veto do PC do B e que o ideal agora é fechar a frente contra a reeleição de Jaime Lerner. ‘‘A união das oposições é muito mais importante’’, emendou. (L.D.)

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