O senador paranaense Alvaro Dias irá oficializar na próxima semana o seu retorno ao PSDB, quando assumirá a vice-liderança do partido no Senado. Ontem, o líder do PSDB, Arthur Virgílio, encaminhou a Alvaro uma carta formalizando o convite de filiação, que ressalta além do ''aval pleno e solidário de todos os senadores do partido'', a ''aprovação do Diretório Regional do Paraná e da Direção Nacional''.
O retorno de Alvaro ao ninho tucano se dá dois anos após o senador, juntamente com o seu irmão, Osmar Dias, ter trocado a legenda pelo PDT para evitar a expulsão devido o endosso a CPI da Corrupção, proposta pela oposição para investigar o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
''Tudo começou no início do ano, quando senadores do PSDB passaram a insistir no nosso retorno alegando a necessidade de reparação da injustiça que foi cometida (processo de expulsão). Na verdade não foi vontade do partido, mas de algumas pessoas'', disse Alvaro. ''Com o aval dos diretórios regionais,
assim como a cúpula nacional em São Paulo, com a presença do Fernando Henrique também houve a acolhida, estou aceitando o convite'', justificou.
O senador ainda afirmou que fatos ocorridos na eleição de 2002, quando disputou o governo do Estado pelo PDT, também o afastaram da sigla de Leonel Brizola. ''No primeiro turno apoei o Ciro Gomes (PPS) e o PDT aceitou que o PPS lançasse candidato ao governo. No segundo turno apoiei o Lula por decisão partidária, e o partido aceitou que o Lula apoiasse o Requião. Fui cristianizado na campanha'', criticou. ''Preciso recuperar o entusiasmo para atuar politicamente. O PSDB está me oferecendo instrumentos que no PDT eu não teria.''
Alvaro disse que deverá voltar ao PSDB sem alarde. ''Vou assinar ficha de filiação e entregar ao deputado Luiz Carlos Hauly levar para Londrina. Prefiro que não seja feita nenhuma cerimônia, porque é como se não tivesse saído do partido.'' Segundo Alvaro, sua intenção agora é ''terminar bem'' o mandato.
O ex-governador Jaime Lerner (PFL) também está ensaiando sua filiação no PSDB. Há cerca de quatro meses, Lerner conversou com Fernando Henrique Cardoso, que estaria interessado no ingresso do ex-governador na legenda. O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), conversou ontem pela manhã com Lerner e disse que não vai vetar o ingresso de ninguém: nem de Alvaro nem de Lerner.
A Folha tentou falar com o presidente do PSDB do Paraná, Beto Richa, mas ele não retornou as ligações.
O presidente do PDT de Londrina e deputado estadual, Barbosa Neto, lamentou a saída do senador do partido e admitiu que Alvaro pode ter sido prejudicado nas eleições de 2002. ''Admito que o Alvaro foi muito prejudicado na verticalização e na aliança. O Requião pegou carona na onda Lula e o Alvaro, que por direito deveria ter catapultado nas pesquisas, foi relegado a segundo plano e teve comportamento digno. A coligação do PDT deveria ter sido respeitada'', afirmou.

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