Alvaro questiona finanças do Paraná
Leandro Donatti
De Curitiba
O senador Alvaro Dias (PSDB) quer informações sobre as finanças do Paraná. Alvaro apresentou no Senado requerimento solicitando ao Ministério da Fazenda os valores das dívidas interna e externa do Estado, de janeiro de 92 a setembro deste ano; a pendência com precatórios (créditos garantidos por sentença judicial); e o débito com fornecedores. O senador pede ainda cópia do relatório elaborado por técnicos da Secretaria do Tesouro Nacional órgão vinculado ao Ministério da Fazenda, analisando a antecipação dos royalties da Usina de Itaipu.
Alvaro fez pronunciamento anteontem na tribuna do Senado, baseado em dados fornecidos pelo Departamento da Dívida Pública, do Banco Central. Pelo levantamento, a dívida do Paraná em junho foi de R$ 8,7 bilhões.
O Estado perde apenas para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O senador alega que a dívida do Paraná foi a que mais cresceu, saltando de R$ 1,3 bilhão em 94 para uma projeção de R$ 12 bilhões em 99. Em janeiro de 98, a dívida era de R$ 4,8 bilhões.
Nos R$ 8,7 bilhões detectados em junho não estão incluídos, ressalta o senador, o déficit de R$ 2,3 bilhões registrado no exercício financeiro de 98; a segunda parcela do socorro financeiro para a privatização do Banestado, orçada em R$ 1,7 bilhão; as dívidas com precatórios e fornecedores; e o mico de R$ 500 milhões pela compra de títulos podres dos governos de Alagoas e Santa Catarina, e municípios paulistas de Osasco e Guarulhos. Segundo Alvaro, estes títulos, se corrigidos hoje, podem chegar a R$ 1 bilhão.
O requerimento do senador não pede apenas informações sobre a saúde financeira, mas medidas administrativas do Ministério da Fazenda. Segundo Alvaro, o governo Lerner está dilapidando o patrimônio público ao se desfazer das ações da Copel. O governo detém apenas 31,1% do patrimônio líquido dessa empresa, avaliado em R$ 4,6 bilhões. O restante foi colocado como alavancagem de empréstimos obtidos no BNDES, empréstimos que não resultaram em obras, acusou. O senador citou ainda a comercialização de ações da Sanepar, privatização da Ferroeste e do Banestado.
Quando assumi o governo, em março de 87, o Banestado era o 17º no ranking nacional. Quando concluímos o nosso mandato, o 7º, comparou. Alvaro atacou a antecipação dos royalties. A confissão de insolvência feita pelo governo está no ato de reivincidar os royalties dos próximos 23 anos. Imaginem se todos os prefeitos municipais do País seguissem esse exemplo e tentassem antecipar os 23 anos de Fundo de Participação dos Municípios?
Vou pentelhar a beça, afirmou ele. De olho na sucessão de 2002, Alvaro tenta desvincular seus ataques do processo eleitoral e afirmou ontem que faz o trabalho de um senador.
Ele disse também que as críticas não comprometem a postura de independência assumida pelo PSDB. O senador assumiu a direção estadual do partido logo após as eleições do ano passado. Pessoalmente, sempre fui de oposição. Nunca jui aliado ou alinhado. Conferi liberdade ao partido devido a questões locais, afirmou, para justificar a postura dúbia dos deputados tucanos do Paraná, que ora são alvaristas ora lerneristas.





