Álvaro quer que Lerner cumpra acordo
O candidato do PSDB ao Senado, ex-governador Álvaro Dias, disse ontem, em Curitiba, antes de embarcar para a França, que se houve pedido do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), para PFL e PTB do Paraná abrirem mão da briga pelo Senado - evitando confronto direto entre pefelistas e tucanos nas eleições - o governador Jaime Lerner (PFL) não o cumpriu. Sofro prejuízos por ser leal ao presidente da República.
As declarações de Álvaro são uma reação ao lançamento da vice-governadora Emília Belinati (PTB) ao Senado, nos últimos minutos permitidos pela legislação eleitoral para PTB e PFL fecharem a chapa. Para ele, houve quebra do acordo branco, intermediado pelo presidente Fernando Henrique. Conforme a fórmula de Brasília, o PSDB não lançaria nenhum concorrente contra Lerner e, em troca, o governador não apresentaria adversário para Álvaro na disputa ao Senado.
Álvaro disse ter tentado contato com Brasília desde anteontem, mas sem êxito. Antes de embarcar para Paris, onde fará comentários esportivos para uma série de emisssoras nas finais da Copa do Mundo, o ex-governador escreveu uma carta ao presidente, que seria entregue em mãos pelo irmão, o senador Osmar Dias (PSDB). O ex-governador não tem dúvida de que o caminho escolhido pelo grupo de Lerner vai trazer dificuldades para a vinda do presidente aos palanques do Paraná, durante a campanha.
Diante da decisão colocada ao final da reunião de Lerner com seus staff de campanha, Álvaro teria encontrado outra forma para pressionar o governador a cumprir o pactuado com Fernando Henrique. Álvaro chegou a sinalizar ao PMDB a possibilidade de coligação formal, apoiando a candidatura do senador Roberto Requião ao governo. Sua ameaça de Álvaro foi detectada pelo Palácio Iguaçu e, pela manhã, o ex-governador já desconversava e recuava do aceno ao PMDB. Por uma questão de respeito ao projeto do presidente, a conversa não evoluiu, justificou ele.
Para Álvaro Dias, Lerner impediu toda e qualquer possibilidade de coligação em torno da sua candidatura ao Senado. Estou com apenas um minuto (de TV) e nem de PPB ele abriu mão, assinalou Álvaro, referindo-se ao cerco montado pelos aliados de Lerner para garantir o distanciamento dos pepebistas dos tucanos. Se eu coligasse com o PMDB, por exemplo, o meu tempo aumentaria para quatro minutos diários, disse. Mas não seria por isso que eu iria de encontro ao projeto do presidente.ArquivoÁlvaro: Sofro prejuízos por ser leal ao presidente da RepúblicaLeandro Donatti





