Álvaro quer permanecer na Telepar até junho
O ex-governador Álvaro Dias (PSDB) disse ontem, em Curitiba, que o seu desligamento do comando da Telepar, para concorrer às eleições, pode ser adiado do dia 3 de abril para o início do mês de junho. Segundo ele, existe uma possibilidade jurídica, na legislação eleitoral, de fixar prazos diferenciados de desincompatibilização para os detentores de cargo das administrações direta e indireta.
Álvaro não aponta a brecha legal, mas diz que a medida só será colocada em prática se houver uma vontade política do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em manter seus aliados frente às estatais até mais próximo às eleições. É uma questão de uniformizar ou não a saída, pondera. A Justiça Eleitoral não detectou a brecha alegada pelo ex-governador. A assessoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília, voltou a frisar ontem que o afastamento deve ser em abril.
Desde que assumiu a presidência da Telepar, em abril de 97, Álvaro tem feito frequentes viagens ao interior para inaugurar obras e participar de outras solenidades. O suposto uso da estrutura da estatal para manter-se na mídia, como o adversário mais forte da reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), foi matéria de página do jornal Folha de S. Paulo, da última terça-feira. O ex-governador diz que ainda não pensou nos reflexos do adiamento de sua saída da estatal.
Eu realmente não sei se seria interessante. Sair antes me deixaria mais à vontade para fazer campanha, afirma, convicto de que não está extrapolando os limites impostos pela legislação para coibir a promoção pessoal. Eu achei ridícula aquela matéria, reagiu Álvaro, ao comentar as informações dadas pelo jornal paulista de que em 97 foram gastos R$ 2 milhões em publicidade, dos quais R$ 1,4 milhão só em programas tidos como de utilidade pública, gravados pelo ex-governador e retransmitidos para cerca de cem rádios em todo o Estado, duas vezes por semana.
Decidimos criar este estúdio na Telepar para gravarmos entrevistas que ficam à disposição das emissoras. Não estamos pagando para que elas retransmitam. Estamos tentando agilizar as coisas, porque senão eu teria de passar o dia dando entrevistas, explica o presidente da Telepar, que diz ser procurado diariamente por inúmeros veículos de comunicação. Nestas horas eu evito falar em política para não misturar as coisas, assinala. (L.D.)





