O presidente do diretório regional do PSDB, senador Álvaro Dias, defendeu anteontem em Curitiba mudanças no ministério do presidente FHC. ‘‘A crise foi superada, o dólar está caindo, mas o governo Fernando Henrique não está se conduzindo com segurança. Tem que recuperar a credibilidade’’, declarou. Álvaro vai apresentar seu ponto de vista em Brasília, num almoço agendado pelo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, com Fernando Henrique. O senador Osmar Dias (PSDB) também participa da audiência, ainda sem dia fixado. Álvaro não conversou mais com o presidente desde o encerramento da campanha eleitoral em Curitiba, em outubro do ano passado.
‘‘Vou ser franco. Não preciso mais ser agradável’’, disse o senador, retirando o seu nome do rol de ministeriáveis. ‘‘Não deve ser cogitado porque seria até constrangedor. Já tive pretensões antes’’, assinalou. Álvaro não esconde o seu descontentamento com o processo que culminou na escolha de Rafael Greca (PFL) como o ministro do Paraná.
O recado do senador não foi dirigido ao pefelista, mas ao presidente e a sua equipe econômica. ‘‘Houve muita pressão na hora de definir os ministros e a área econômica se desgastou’’, ponderou. Para Álvaro, ‘‘a equipe econômica não está respondendo a contento’’. ‘‘Com as mesmas pessoas falando as mesmas coisas, não se recupera a credibilidade.’’
Para sustentar suas críticas, o senador tucano levará a FHC os dados da pesquisa feita pela Confederação Nacional dos Transportes, onde 47% dos entrevistados classificaram como ‘‘ruim’’ e ‘‘péssimo’’ o governo federal nesse momento. ‘‘Tem que colocar na equipe econômica gente com perfil executivo’’, defendeu Álvaro.
O senador tucano reassumiu o comando do partido no Paraná. As críticas ao governo federal - apesar de seu alinhamento a FHC - foram feitas antes da cerimônia, em Curitiba. Álvaro recebeu o partido das mãos de seu suplente no Senado, o ex-secretário de Educação Olivir Gabardo.
No discurso de posse, o senador disse que o PSDB precisa agir com independência. Para ele, a fragilidade dos partidos e a não cobrança da fidelidade partidária facilitam a posição dos tucanos de não se confrontarem no Estado nem com o PFL do governador Jaime Lerner nem com o PMDB do senador Roberto Requião.
‘‘O PSDB tem compromisso de natureza administrativa, respaldando na Assembléia e no Senado as ações de importância para o Estado. Porém, sem compromisso de natureza política. Teremos candidato próprio em 2002’’, ressaltou. Para Álvaro, que quer ser candidato ao governo novamente, o PSDB tem de estar forte, principalmente porque a reforma política dos partidos está a caminho.
‘‘Se for implantado o voto distrital, por exemplo, as coligações proporcionais não existirão mais. Precisamos ter nomes fortes para formarmos boas chapas’’. ‘‘O modelo político atual não é consistente’’, ponderou o senador.

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