O senador Alvaro Dias (PSDB) afirmou ontem que o partido abre mão da candidatura própria e apóia o senador Roberto Requião (PMDB), caso ele seja candidato a prefeito de Curitiba. ‘‘Se o Requião anunciar sua candidatura, vamos apoiá-lo. É uma hipótese possível que estamos analisando. Mas, enquanto ele não se manifestar, não há motivos para que o PSDB desista de ter um candidato próprio’’, explicou Alvaro. Requião, porém, assegurou que vai aguardar até o dia da convenção municipal do PMDB de Curitiba, no dia 24 de junho, para decidir se vai ou não disputar a eleição municipal.
‘‘Considero o apoio muito interessante e o retribuo. Gostaria que ele (Álvaro) fosse candidato a prefeito de Londrina e o Osmar (senador Osmar Dias, irmão de Álvaro e também do PSDB), em Maringᒒ, devolveu. O senador disse que o partido tem bons nomes para a disputa em Curitiba, citando o irmão Maurício, que preside o diretório municipal, o deputado federal Gustavo Fruet e o vereador Jonatas Pirkiel.
A participação de Requião na eleição desse ano é considerada pelos partidos de oposição de Curitiba como uma das poucas, senão a única, maneira de impedir a reeleição de Cassio Taniguchi (PFL). A opção do senador pela disputa municipal, contando com o apoio incondicional do PSDB, pode provocar mudanças na composição de alianças em muitas cidades importantes do Estado. Alguns peemedebistas temem, por exemplo, que a participação isolada de Requião na campanha na capital possa prejudicar o desempenho do partido nos outros municípios.
Mas, na opinião dos tucanos, a candidatura do senador do PMDB pode, além de garantir uma disputa mais acirrada, fazer com que os partidos consigam mais vagas na câmara de vereadores. ‘‘A candidatura do Requião conquista naturalmente o chamado ‘voto útil’ dos simpatizantes do PT, por exemplo. Se nossa aliança se concretizar o PSDB pode eleger com certa facilidade de 9 a 11 vereadores em Curitiba’’, argumentou um dos pré-candidatos do PSDB, deputado federal Max Rosenmann.
Para comprovar seus argumentos ele apresentou dados de uma pesquisa, encomendada pelo deputado, realizada por telefone com 447 eleitores da cidade. Segundo Rosenmann, 38% das pessoas declararam que votariam no candidato que Requião apoiasse, 36% seguiriam a indicação de Alvaro Dias e 22% votariam no candidato que tivesse o apoio declarado do governador Jaime Lerner.
O deputado, que concorda com o posicionamento de Alvaro Dias, disse que o partido poderia até abdicar da indicação do candidato a vice-prefeito caso Requião seja o candidato. ‘‘O grande problema em enfrentarmos nossos adversários é que eles contam demais com o poder econômico e não querem discutir os problemas sociais que a população está enfrentando. Com o Requião teríamos um forte compromisso de que os trabalhos sociais seriam privilegiados’’, explicou o deputado.

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