Álvaro quebra o jejum e volta a atacar Lerner
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sexta-feira, 24 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaDias: Cidadão mais curiosoO presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), quebrou o jejum e voltou a criticar o governador Jaime Lerner (PFL), seu adversário na briga eleitoral em 98. Eu não sei o que será do futuro do próximo governador. Ele herdará as finanças deterioradas por conta da incompetência e da desonestidade de alguns que nos governam, atirou, durante jantar com a colônia árabe em Curitiba, na quinta-feira, quando lançou o empresário Mustafa Hamdar à Assembléia Legislativa.
A colônia bem que tentou, mas o ex-governador não quis se precipitar e colocar o seu nome ao governo do Estado. Álvaro não descarta a possibilidade de sair candidato ao Senado. A privatização do Sistema Telebrás, anunciada pelo ministro das Comunicações Sérgio Motta (PSDB), forçou o ex-governador a reavaliar seu rumo. Álvaro foi atropelado com a notícia de que terá de deixar o comando da Telepar em dezembro, sem poder inaugurar boa parte das obras que o colocariam em evidência no ano eleitoral.
Nem todos sabem o que está acontecendo no Paraná. Nenhum governo tem o direito de sonegar informações, criticou o ex-governador numa referência aos protocolos firmados entre o governo e as montadoras, mantidos sob sigilo. Álvaro diz que possui informações extra-oficiais dando conta que em agosto de 97 a folha de pagamento do Estado ficou em R$ 235 milhões, enquanto a receita em torno R$ 178 milhões. Estou em observação. Sou o cidadão mais curioso do Paraná hoje. Quero saber o que a população está pensando antes de definir um projeto eleitoral, assinala.
Álvaro passou meses evitando ataques diretos ao governador. Deixou a tarefa para o irmão, senador Osmar Dias (PSDB). No início de setembro, o ex-governador chegou a acenar com a possibilidade de negociação política com o PFL de Lerner, seguindo orientação do Palácio do Planalto. O presidente da Telepar sepultou, anteontem à noite, qualquer possibilidade de acerto. A história definiu isso. E nós somos a nossa história, avaliou. O processo de esvaziamento comandado pelo Palácio Iguaçu e que minguou a bancada tucana na Assembléia foi a gota dágua para o afastamento.
O presidente Fernando Henrique precisa eleger governadores pelo PSDB. A aliança com o PFL está se esgotando. Em 2002, teremos outra composição, acrescentou. Álvaro Dias diz que não abre mão de defender a reeleição do presidente.O fator para adiarmos a estratégia de lançamento da minha candidatura (pode ser ao governo ou ao Senado) é a costura de alianças, ponderou.
Na segunda-feira, ele conversa com a direção estadual do PT para tentar uma aproximação mais consistente. O sinal verde dado pelo presidente nacional do partido, José Dirceu, durante a semana, empolgou a maioria dos tucanos e petistas. O ex-prefeito de Londrina, Luiz Eduardo Cheida, participa da conversa. Ele admite a aproximação, partindo do princípio de que Álvaro é oposição a Lerner e aliado, por tabela, do PT. O ex-governador acha a mesma coisa, mas ressalva que não aceitará prato feito e que as candidaturas terão de ser amadurecidas e peneiradas por uma pesquisa de opinião, provavelmente em março ou abril do ano que vem.


