Curitiba O senador Alvaro Dias, candidato do PDT ao governo do Paraná, disse que, se eleito, vai desengavetar e fazer cumprir todas as ordens judiciais de reintegração de posse pendentes no Estado. A promessa, feita no debate da Globo anteontem à noite, causou reações nos movimentos ligados à disputa pela terra.
Atualmente, 22 ordens judiciais com sentença favorável à reintegração de posse em áreas invadidas esperam seu cumprimento. O governo estadual ainda não cumpriu as decisões à espera de um posicionamento do governo federal. ''Como não temos ainda onde colocar as famílias que seriam despejadas, estamos esperando uma decisão do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para cumprir as ordens. Caso contrário, correríamos o risco de gerar mais conflitos no campo'', explicou o assessor especial para Assuntos Fundiários do governo estadual, Antonio Carlos da Costa Coelho.
Alvaro afirmou que durante sua gestão, de 1987 a 1990, o relacionamento com os movimentos sociais foi marcada pela tranquilidade. ''Não tivemos conflito no campo e realizamos a reforma agrária durante meu governo'', afirmou. O advogado Darci Frigo, responsável pela defesa judicial de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), questiona. ''Em 1988 houve confrontos na região de Nova Cantu, que resultaram inclusive em um trabalhador sendo baleado na perna.''
O advogado reconhece que a relação dos movimentos sociais com o governo foi mais tranquila durante a época em que Alvaro foi governador do que nos oito anos da gestão Jaime Lerner (PFL), por exemplo. ''Mas isso é fruto de uma conjuntura. Na época, a sociedade estava vivendo o processo de democratização e estava mais atenta aos atos do governador. As violências cometidas pelo governo Lerner não seriam aceitas pela sociedade naquele momento.''
A declaração de Alvaro de que cumprirá todas as reintegrações de posse preocupa o advogado. ''Óbvio que esperamos que um governador cumpra as determinações da Justiça, mas gostaríamos também que ele se comprometesse ao diálogo com os movimentos sociais. Quando um candidato afirma que a polícia vai atirar primeiro, as expectativas não são das mais alentadoras.''

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