Patrícia Zanin
De Curitiba
O senador Alvaro Dias (PSDB) defendeu ontem a extinção do Ministério do Desenvolvimento, pasta que será ocupada pelo empresário Alcides Tápias no lugar de Clóvis Carvalho. ‘‘O presidente Fernando Henrique melhor faria extinguindo o ministério’’, disse Alvaro, que há cerca de duas semanas declarou-se independente do governo federal.
Na opinião do senador, não cabe discutir o nome de quem vai comandar o ministério e sim a existência da pasta. ‘‘Como o presidente adotou como prioridade uma política monetária monitorada pelo FMI, esse ministério deixa de ter sentido. Será sempre um ponto de discórdia com o ministro da Fazenda, Pedro Malan’’, argumentou. Carvalho foi demitido depois de criticar Malan.
Com as declarações, Alvaro reafirma a postura de distanciamento do governo federal. De acordo com o senador, a posição foi adotada porque FHC se afastou dos compromissos da social-democracia.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB), não prega a extinção do Ministério do Desenvolvimento, mas não gostou da indicação de Tápias. ‘‘Ele não tem nada a ver com a área pública. Além do mais, o ministério está muito paulistano’’, criticou. Tápias é de São Paulo e vem da iniciativa privada – presidia o grupo Camargo Corrêa, trabalhou no Bradesco por quase 40 anos e comandou a Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban).
Para Hauly, o Brasil tem quadros ‘‘extraordinários’’ que poderiam ter sido avaliados na substituição de Carvalho. ‘‘Que fosse alguém da área política. O PSDB nacional tem quadros extraordinários’’. Ele também reconheceu que o Paraná voltou a perder a chance de tentar garantir a indicação.
O deputado não tem dúvidas de que na próxima semana, em Brasília, haverá descontentamento dos partidos aliados ao governo por causa da indicação. ‘‘Estou cheio de apagar incêndio’’, desabafou. Ele disse que defende o governo, o ministro Malan, a estabilidade, o Plano Real. ‘‘Mas uma indicação dessa não tem como defender.’’
O deputado federal Padre Roque (PT) disse que já conversou com deputados da base aliada e eles não gostaram na nomeação. ‘‘Haverá chiadeira.’’ Para o parlamentar, os conflitos internos no ministério de FHC chegaram a uma situação delicada. ‘‘Nunca houve sintonia, mas agora o ruído é absoluto’’, comparou.
Já o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), José Carlos Gomes Carvalho, o Carvalhinho, elogiou a escolha de Tápias. ‘‘Ele tem todas as condições de preencher a lacuna de conversar com o empresariado’’, afirmou. O presidente da Fiep, que disse ser amigo pessoal de Tápias, pretende ir à posse e sugerir a criação de um conselho informal que reuniria pequenos, médios e grandes empresários. ‘‘Seria um conselho sem jetons que apontaria caminhos para o desenvolvimento. Criticar é fácil. Difícil é sugerir, mas nós queremos ajudar.’’
O presidente da Fiep contou ter tido contatos com Tápias quando este era presidente da Febraban (91-94) e Carvalhinho comandava a Fenabrave (Federação Nacional de Revendores de Veículos Automotores).

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