''Factoide'' para petistas e peemebistas, ou, para os tucanos, acordo interno costurado desde fevereiro passado. É dessa forma que foi avaliado ontem, no meio político paranaense, o anúncio da possível candidatura do senador Alvaro Dias (PSDB) como vice na chapa de José Serra à Presidência da República. O anúncio oficial deve ser feito hoje de manhã pelo presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE), na convenção regional realizada em Cuiabá (MS) - uma vez que uma posição final só seria tirada após a consulta ao DEM.
Por telefone, de Cuiabá, o senador paranaense afirmou à FOLHA que seu nome, juntamente com o do ex-governador do Ceará, senador Tasso Jereissati, estava sendo trabalhado no partido desde fevereiro - negou que tivesse, ele mesmo, sugerido a própria candidatura. ''Pessoalmente nunca interferi nessa questão; quem conduziu o processo foi o Sérgio Guerra, que me pediu para aguardar'', disse.
Sobre o impacto da possível confirmação na chapa do ex-governador paulista nas eleições do Paraná - uma vez que seu irmão, o senador Osmar Dias (PDT), até ontem não havia oficializado a candidatura ao Governo -, Alvaro declarou que ''tem conversado com o Osmar sobre isso, porque é desconfortável ele de um lado, e eu, de outro (no apoio a Beto Richa)'', comentou, para completar: ''Creio que seria uma atitude de grandeza da parte dele, uma ajuda ao Paraná, nós estarmos juntos nessa eleição; certamente não sou eu que vou anunciar isso, mas não há como estarmos em posições diferentes'', concluiu.
Questionado sobre a pouca ou nenhuma repercussão de seu nome como vice por parte do próprio Serra - que, no interior paulista, resumiu apenas se tratar ''de um bom nome'' -, Alvaro minimizou: ''É porque o Guerra fará isso oficialmente, pois já consultou PTB e PPS e faltava só o DEM, no Rio''. Sobre as críticas que já começam a ser levantadas, sobretudo na internet, a respeito do episódio da greve dos professores no Paraná, em 1988, quando estava no governo do Estado, o senador reagiu com uma gargalhada. Depois, emendou: ''É pobreza de espírito, mediocridade de quem olha isso - basta ver que governantes como Serra, Aécio (Neves-MG), (Mário) Covas (SP) também passaram por greves. Ainda bem que é isso que estão desenterrando, portanto''.
A reportagem tentou contato diversas vezes ontem com Osmar, mas assessores de imprensa informaram que ele estava em uma reunião com parlamentares e assessores do partido, a qual, até o fechamento desta edição, não havia terminado.

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